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Crise europeia: uma oportunidade para crescer

Crise europeia: uma oportunidade para crescer

1 Sep, 2020

Conclusão é de um estudo do Gabinete de Estudos do Ministério da Economia


Aproveitar a crise para crescer. Esta é a conclusão de um estudo do Gabinete de Estratégia e Estudos (GEE) do Ministério da Economia, que concluiu que existem – pelo menos - dez setores de atividade na economia portuguesa que podem aproveitar a crise europeia para crescer para minimizar os estragos provados pela pandemia.
O estudo, divulgado pelo Dinheiro Vivo, aponta que alguns setores portugueses estão relativamente bem colocados para ganhar “o que podem vir a ser perdas dos outros”. São eles o calçado, vestuário, têxtil, madeira, cortiça, papel, alojamento, restauração e produção de minerais.
Estes setores têm, segundo o estudo, “claras vantagens comparativas” em relação aos concorrentes europeus e que podem, assim, “captar mais oportunidades de acréscimo da procura por desvio do comércio”.
Os economistas Guida Nogueira e Paulo Inácio, responsáveis pelo documento, apontam, no entanto, que ainda não é conhecida a dimensão real da quebra no comércio internacional. Apesar disso, “tendo em conta o desfasamento nas situações epidemiológicas nos vários cantos do globo, as diferentes respostas à pandemia e os impactos associados, é provável que numa primeira fase da retoma da economia europeia, as cadeias de valor prossigam num formato mais regional, o que pode criar algumas oportunidades de exportação para a economia portuguesa”.
Assim, tendo em conta o elevado grau de incerteza quanto à retoma da atividade económica fora da União Europeia “alguns setores da economia portuguesa podem ser ativados, pelo menos temporariamente, para abastecer os mercados da União Europeia substituindo os respetivos fornecedores de origem extracomunitária. Este fenómeno é conhecido como um efeito de desvio de comércio e cria uma oportunidade importante para que as empresas portuguesas absorvam competências no curto prazo, ganhem escala e consigam afirmar-se no contexto europeu no médio longo prazo”.
Oportunidades para o setor do calçado
O estudo do GEE identifica, ainda, duas tipologias de empresas que, a partir de Portugal, podem  expandir os seus negócios. Por um lado, empresas de setores “em que Portugal pode absorver mais competências e aumentar a sua representatividade dentro do mercado comunitário, por lhe ser reconhecido elevado grau de especialização”. Por outro lado, um segundo grupo de empresas que “não sendo a escolha mais óbvia para substituir fornecedores extracomunitários, por não lhe ser reconhecido elevado grau de especialização, apresenta alguma especialização e capacidade instalada que lhe pode permitir, com alguma prospeção de mercado, aproveitar algumas oportunidades de exportação”.
Dos dez setores anteriormente identificados – cujo valor acrescentado bruto representa atualmente 54% de todo o VAB exportado pela economia portuguesa – destaque para o setor do calçado, vestuário e têxtil. De acordo com o estudo do GEE, existem em Portugal mais de 2900 empresas a operar nesta área, sendo o País o quinto maior exportador mundial em valor neste tipo de bens, a seguir a Itália, Espanha, Alemanha e França.
“Portugal tem a maior vantagem comparativa revelada na União Europeia neste setor (calçado, vestuário e têxtil), e pode no curto prazo aproveitar a oportunidade para abastecer os mercados comunitários que não estão especializados, substituindo os respetivos fornecedores do mercado extracomunitário”.
Acresce que, continua o documento, “o mercado da UE é bastante representativo, uma vez que absorve cerca de metade das exportações de têxteis, vestuário e calçado. Em 2017, “existiam 2903 empresas portuguesas exportadoras de bens, com atividade principal registada neste sector, a abastecer directamente o mercado comunitário (5,8% de todas as empresas exportadoras de bens em Portugal), o que compara muito bem com os restantes países europeus para os quais se conhece informação”.
Existe, portanto, “uma forte orientação para os mercados externos, com forte visibilidade e presença no mercado europeu e o setor apresenta também uma capacidade instalada capaz de responder ao desafio da procura externa acrescida, com um impacto significativo para a economia nacional”.

Os outros setores
Também o setor da madeira, cortiça e papel mereceu destaque no estudo desenvolvido pelo gabinete tutelado pelo Ministério da Economia. Portugal é especializado nestes setores e  tem fortes vantagens comparativas. “Em termos absolutos, dentro da UE, Portugal é o décimo primeiro principal exportador de valor acrescentado gerado pelo setor (da madeira, cortiça e papel) para o mundo. O mercado europeu absorve quase metade destas exportações e mobiliza um número elevado de empresas exportadoras, mais de 1600”.  
Mas não é só. Também os setores do alojamento e da restauração têm uma janela de oportunidade. São dos maiores empregadores da economia nacional e, apesar do abrandamento provocado pela pandemia, continua a ser um setor muito “competitivo em comparação com outros países”. Aliás, “Portugal é o sétimo principal exportador de valor acrescentado gerado no sector alojamento e restauração, para o mundo. O mercado da UE é muito representativo, absorvendo 44% destas exportações”.


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