Como se comportam as marcas portuguesas no Instagram?
As Josefinas mantêm uma das maiores comunidades do setor, com 119 mil seguidores. Segue-se a Cubanas, que passou de cerca de 80 mil seguidores, em 2023, para 109 mil, um crescimento superior a 36%.
A Lemon Jelly alcança agora os 89 mil seguidores. A combinação entre uma imagem colorida, um produto facilmente identificável, sustentabilidade e a particularidade do aroma a limão continua a diferenciar a marca no universo digital.
Luís Onofre e Zilian contam, cada uma, com aproximadamente 72 mil seguidores. No caso de Luís Onofre, a comunicação assenta no luxo, no saber-fazer e na produção portuguesa. A Zilian conjuga produto, moda e uma forte componente de retalho, apoiada por lojas próprias em Lisboa.
A NAE Vegan Shoes soma 60 mil seguidores, enquanto a Zouri se aproxima desse valor, com 58 mil. As duas marcas ocupam um território particularmente relevante nas redes sociais: o da sustentabilidade. A NAE aposta em materiais alternativos à pele, enquanto a Zouri comunica uma proposta baseada na utilização de plástico recolhido na costa portuguesa e na produção artesanal em Portugal.
Sanjo e Lachoix entre as marcas que mais crescem
A Sanjo protagoniza uma das evoluções mais significativas. A histórica marca portuguesa de sapatilhas passou de aproximadamente 30 mil seguidores, em 2023, para 51 mil. Trata-se de um crescimento próximo de 70%.
A recuperação do património da marca, combinada com uma imagem contemporânea e com a valorização dos modelos históricos K100 e K200, permitiu à Sanjo aproximar-se de uma nova geração de consumidores.
A Lachoix reúne atualmente 48 mil seguidores. Fundada em 2018, a marca portuguesa encontrou nos mocassins, sabrinas e sapatos rasos um território próprio, marcado pela elegância, conforto e produção nacional.
Carlos Santos, com 46 mil seguidores, e Miguel Vieira, com 45 mil, continuam igualmente entre as marcas portuguesas com maior expressão no Instagram. Apple of Eden e Catarina Martins surgem logo depois, ambas com comunidades próximas dos 41 mil seguidores.
Mais abaixo no ranking, Ambitious e XUZ contam com cerca de 24 mil seguidores cada. A evolução da XUZ é especialmente expressiva: a marca tinha aproximadamente 13 mil seguidores em 2023, o que significa que a sua comunidade cresceu perto de 85%.
A Mariano, marca de luxo artesanal fundada em 1945, reúne atualmente cerca de 17 mil seguidores. Com uma estratégia assente no património, na produção própria e na internacionalização, a marca tem vindo a reforçar a presença no segmento feminino e a colaborar com criadores internacionais.
Felmini alcança os 14 mil seguidores, enquanto a Nobrand se aproxima dos dez mil. Camport, JJ Heitor, Centenário 1941, Officina Lisboa e DKODE continuam também a desenvolver as respetivas comunidades digitais.
Parfois lidera nos acessórios
Quando a análise é alargada às marcas portuguesas de acessórios e artigos de pele que também comercializam calçado, a Parfois assume uma posição sem paralelo.
A marca portuguesa reúne cerca de dois milhões de seguidores no Instagram. O crescimento da rede internacional de lojas, a elevada frequência de publicação e a evolução da Parfois para uma proposta de “full look” ajudam a explicar a dimensão da sua audiência.
A Parfois deve, contudo, ser analisada numa categoria distinta das marcas exclusivamente dedicadas ao calçado, uma vez que as carteiras, acessórios, joalharia e vestuário continuam a representar uma parte central da sua oferta.
Retalho reforça presença digital
No setor do retalho, a Seaside reúne atualmente cerca de 86 mil seguidores, acima dos 65 mil registados no levantamento de 2023. A comunicação frequente, orientada para as novidades e para a rotação de produto, contribui para manter uma comunidade ativa e próxima da marca.
A Zilian, que combina marca própria e retalho especializado, conta com 72 mil seguidores e confirma-se igualmente como um dos operadores portugueses de maior expressão no Instagram.
A dimensão destas comunidades mostra que o retalho continua a beneficiar da capacidade das redes sociais para apresentar novidades, divulgar campanhas e encaminhar diretamente os consumidores para as lojas físicas e digitais.
Calçado profissional também comunica
As marcas portuguesas de calçado profissional começam igualmente a construir comunidades próprias nas redes sociais.
A ToWorkFor destaca-se neste segmento, com cerca de 13 mil seguidores. A marca apresenta o calçado de segurança através de uma comunicação irreverente, aproximando os universos da proteção, do workwear e do lifestyle.
A Lavoro reúne aproximadamente 2.600 seguidores e centra a sua comunicação na engenharia, biomecânica, inovação e segurança. A No Risk, com cerca de 1.900 seguidores, procura aproximar o calçado profissional da moda e do uso quotidiano.
A Camport, embora não seja uma marca exclusivamente profissional, ocupa uma posição intermédia entre conforto, outdoor, produto técnico e lifestyle. A marca portuguesa conta com aproximadamente 8.500 seguidores.
Um universo muito mais amplo
O ecossistema português de marcas de calçado é bastante mais vasto do que o grupo que lidera em número de seguidores.
Bento, Entrudo, Unreal Fields, Citadin Shoes, Walkest, JAK, Marita Moreno, As Portuguesas, Harper, Pallas, Maray, Augustha, Lenna, Olkin e Rock n’ Dot são alguns dos projetos que têm vindo a apresentar propostas diferenciadas, muitas delas baseadas na produção local, no fabrico artesanal, na sustentabilidade e na utilização de materiais alternativos.
A estas juntam-se outras marcas como Egídio Alves, Armando Cabral, Friendly Fire, PortDance, Diverge, MLV Shoes, Ruika, ESC, AndIWander, Sofia Costa, Skizzo, Beppi, Atlanta Mocassin, Softinos, Wayz, Rutz, Balluta, Gladz e Contagious.
Nem todas apresentam comunidades de grande dimensão, mas várias trabalham segmentos específicos e altamente diferenciados. Num mercado digital cada vez mais fragmentado, uma audiência menor pode representar uma comunidade mais especializada, próxima e relevante.
Seguidores não são sinónimo de vendas
O número de seguidores continua a ser o indicador público mais imediato para medir a dimensão de uma comunidade digital, mas não permite, isoladamente, avaliar o sucesso comercial de uma marca.
Alcance médio, visualizações dos vídeos, taxa de interação, crescimento orgânico, localização da audiência, tráfego direcionado para a loja online e conversão em vendas são indicadores igualmente importantes.
Ainda assim, a evolução registada desde 2023 confirma que o Instagram permanece uma ferramenta estratégica para a notoriedade e internacionalização das marcas portuguesas.
Ranking das marcas de calçado no Instagram
1. Alameda Turquesa — 625 mil seguidores
2. Leandro Lopes — 190 mil
3. Josefinas — 119 mil
4. Cubanas — 109 mil
5. Lemon Jelly — 89 mil
6. Luís Onofre — 72 mil
7. NAE Vegan Shoes — 60 mil
8. Zouri — 58 mil
9. Sanjo — 51 mil
10. Lachoix — 48 mil
11. Carlos Santos — 46 mil
12. Miguel Vieira — 45 mil
13. Apple of Eden — 41 mil
14. Catarina Martins — 41 mil
15. Ambitious — 24 mil
16. XUZ — 24 mil
17. Mariano — 17 mil
18. Felmini — 14 mil
19. Nobrand — 9.768j
20. Camport — 8.508
Nos segmentos complementares, a Parfois lidera os acessórios e o conceito “full look”, com dois milhões de seguidores; a Seaside destaca-se no retalho, com 86 mil; e a ToWorkFor lidera entre as marcas de calçado profissional analisadas, com 13 mil.
Dados consultados nos perfis públicos do Instagram em 6 de setembro de 2026. Os números apresentados pela plataforma são arredondados nas contas com mais de dez mil seguidores e podem sofrer alterações diárias.

