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Marcas portuguesas conquistam novas audiências nas redes sociais

Marcas portuguesas conquistam novas audiências nas redes sociais

15 Out, 2026

Como se comportam as marcas portuguesas no Instagram?


Alameda Turquesa lidera no calçado, Parfois supera os dois milhões de seguidores e novas marcas ganham espaço no universo digital

As redes sociais continuam a afirmar-se como uma das principais montras das marcas portuguesas de calçado, artigos de pele e acessórios. No Instagram, em particular, várias empresas nacionais reforçaram significativamente as suas comunidades desde o último levantamento realizado pela APICCAPS, em janeiro de 2023.
A análise mais recente, realizada em setembro de 2026, confirma a liderança da Alameda Turquesa entre as marcas portuguesas de calçado. A marca criada por Ana e Carolina Santos reúne agora cerca de 625 mil seguidores, mais 241 mil do que os 384 mil registados em 2023. Em pouco mais de três anos, a comunidade cresceu aproximadamente 63%.

Nascida no meio digital, a Alameda Turquesa construiu uma identidade visual facilmente reconhecível, assente na cor, na personalização e na produção artesanal. A presença dos seus modelos junto de celebridades, influenciadores e figuras internacionais continua a ampliar a projeção da marca e do calçado português.

Novas posições no topo
Uma das principais novidades do ranking é a afirmação da Leandro Lopes. Com cerca de 190 mil seguidores, a marca ocupa atualmente a segunda posição entre as marcas analisadas. A associação a personalidades internacionais, a comunicação centrada no luxo e a exposição do próprio fundador são elementos importantes da sua estratégia digital.

As Josefinas mantêm uma das maiores comunidades do setor, com 119 mil seguidores. Segue-se a Cubanas, que passou de cerca de 80 mil seguidores, em 2023, para 109 mil, um crescimento superior a 36%.

A Lemon Jelly alcança agora os 89 mil seguidores. A combinação entre uma imagem colorida, um produto facilmente identificável, sustentabilidade e a particularidade do aroma a limão continua a diferenciar a marca no universo digital.

Luís Onofre e Zilian contam, cada uma, com aproximadamente 72 mil seguidores. No caso de Luís Onofre, a comunicação assenta no luxo, no saber-fazer e na produção portuguesa. A Zilian conjuga produto, moda e uma forte componente de retalho, apoiada por lojas próprias em Lisboa.

A NAE Vegan Shoes soma 60 mil seguidores, enquanto a Zouri se aproxima desse valor, com 58 mil. As duas marcas ocupam um território particularmente relevante nas redes sociais: o da sustentabilidade. A NAE aposta em materiais alternativos à pele, enquanto a Zouri comunica uma proposta baseada na utilização de plástico recolhido na costa portuguesa e na produção artesanal em Portugal.

Sanjo e Lachoix entre as marcas que mais crescem
A Sanjo protagoniza uma das evoluções mais significativas. A histórica marca portuguesa de sapatilhas passou de aproximadamente 30 mil seguidores, em 2023, para 51 mil. Trata-se de um crescimento próximo de 70%.

A recuperação do património da marca, combinada com uma imagem contemporânea e com a valorização dos modelos históricos K100 e K200, permitiu à Sanjo aproximar-se de uma nova geração de consumidores.

A Lachoix reúne atualmente 48 mil seguidores. Fundada em 2018, a marca portuguesa encontrou nos mocassins, sabrinas e sapatos rasos um território próprio, marcado pela elegância, conforto e produção nacional.

Carlos Santos, com 46 mil seguidores, e Miguel Vieira, com 45 mil, continuam igualmente entre as marcas portuguesas com maior expressão no Instagram. Apple of Eden e Catarina Martins surgem logo depois, ambas com comunidades próximas dos 41 mil seguidores.

Mais abaixo no ranking, Ambitious e XUZ contam com cerca de 24 mil seguidores cada. A evolução da XUZ é especialmente expressiva: a marca tinha aproximadamente 13 mil seguidores em 2023, o que significa que a sua comunidade cresceu perto de 85%.

A Mariano, marca de luxo artesanal fundada em 1945, reúne atualmente cerca de 17 mil seguidores. Com uma estratégia assente no património, na produção própria e na internacionalização, a marca tem vindo a reforçar a presença no segmento feminino e a colaborar com criadores internacionais.

Felmini alcança os 14 mil seguidores, enquanto a Nobrand se aproxima dos dez mil. Camport, JJ Heitor, Centenário 1941, Officina Lisboa e DKODE continuam também a desenvolver as respetivas comunidades digitais.

Parfois lidera nos acessórios
Quando a análise é alargada às marcas portuguesas de acessórios e artigos de pele que também comercializam calçado, a Parfois assume uma posição sem paralelo.
A marca portuguesa reúne cerca de dois milhões de seguidores no Instagram. O crescimento da rede internacional de lojas, a elevada frequência de publicação e a evolução da Parfois para uma proposta de “full look” ajudam a explicar a dimensão da sua audiência.

A Parfois deve, contudo, ser analisada numa categoria distinta das marcas exclusivamente dedicadas ao calçado, uma vez que as carteiras, acessórios, joalharia e vestuário continuam a representar uma parte central da sua oferta.

Retalho reforça presença digital

No setor do retalho, a Seaside reúne atualmente cerca de 86 mil seguidores, acima dos 65 mil registados no levantamento de 2023. A comunicação frequente, orientada para as novidades e para a rotação de produto, contribui para manter uma comunidade ativa e próxima da marca.
A Zilian, que combina marca própria e retalho especializado, conta com 72 mil seguidores e confirma-se igualmente como um dos operadores portugueses de maior expressão no Instagram.

A dimensão destas comunidades mostra que o retalho continua a beneficiar da capacidade das redes sociais para apresentar novidades, divulgar campanhas e encaminhar diretamente os consumidores para as lojas físicas e digitais.

Calçado profissional também comunica

As marcas portuguesas de calçado profissional começam igualmente a construir comunidades próprias nas redes sociais.
A ToWorkFor destaca-se neste segmento, com cerca de 13 mil seguidores. A marca apresenta o calçado de segurança através de uma comunicação irreverente, aproximando os universos da proteção, do workwear e do lifestyle.

A Lavoro reúne aproximadamente 2.600 seguidores e centra a sua comunicação na engenharia, biomecânica, inovação e segurança. A No Risk, com cerca de 1.900 seguidores, procura aproximar o calçado profissional da moda e do uso quotidiano.
A Camport, embora não seja uma marca exclusivamente profissional, ocupa uma posição intermédia entre conforto, outdoor, produto técnico e lifestyle. A marca portuguesa conta com aproximadamente 8.500 seguidores.

Um universo muito mais amplo
O ecossistema português de marcas de calçado é bastante mais vasto do que o grupo que lidera em número de seguidores.
Bento, Entrudo, Unreal Fields, Citadin Shoes, Walkest, JAK, Marita Moreno, As Portuguesas, Harper, Pallas, Maray, Augustha, Lenna, Olkin e Rock n’ Dot são alguns dos projetos que têm vindo a apresentar propostas diferenciadas, muitas delas baseadas na produção local, no fabrico artesanal, na sustentabilidade e na utilização de materiais alternativos.

A estas juntam-se outras marcas como Egídio Alves, Armando Cabral, Friendly Fire, PortDance, Diverge, MLV Shoes, Ruika, ESC, AndIWander, Sofia Costa, Skizzo, Beppi, Atlanta Mocassin, Softinos, Wayz, Rutz, Balluta, Gladz e Contagious.

Nem todas apresentam comunidades de grande dimensão, mas várias trabalham segmentos específicos e altamente diferenciados. Num mercado digital cada vez mais fragmentado, uma audiência menor pode representar uma comunidade mais especializada, próxima e relevante.

Seguidores não são sinónimo de vendas
O número de seguidores continua a ser o indicador público mais imediato para medir a dimensão de uma comunidade digital, mas não permite, isoladamente, avaliar o sucesso comercial de uma marca.

Alcance médio, visualizações dos vídeos, taxa de interação, crescimento orgânico, localização da audiência, tráfego direcionado para a loja online e conversão em vendas são indicadores igualmente importantes.

Ainda assim, a evolução registada desde 2023 confirma que o Instagram permanece uma ferramenta estratégica para a notoriedade e internacionalização das marcas portuguesas.

Ranking das marcas de calçado no Instagram
1.    Alameda Turquesa — 625 mil seguidores
2.    Leandro Lopes — 190 mil
3.    Josefinas — 119 mil
4.    Cubanas — 109 mil
5.    Lemon Jelly — 89 mil
6.    Luís Onofre — 72 mil
7.    NAE Vegan Shoes — 60 mil
8.    Zouri — 58 mil
9.    Sanjo — 51 mil
10.    Lachoix — 48 mil
11.    Carlos Santos — 46 mil
12.    Miguel Vieira — 45 mil
13.    Apple of Eden — 41 mil
14.    Catarina Martins — 41 mil
15.    Ambitious — 24 mil
16.    XUZ — 24 mil
17.    Mariano — 17 mil
18.    Felmini — 14 mil
19.    Nobrand — 9.768j
20.    Camport — 8.508

Nos segmentos complementares, a Parfois lidera os acessórios e o conceito “full look”, com dois milhões de seguidores; a Seaside destaca-se no retalho, com 86 mil; e a ToWorkFor lidera entre as marcas de calçado profissional analisadas, com 13 mil.

Dados consultados nos perfis públicos do Instagram em 6 de setembro de 2026. Os números apresentados pela plataforma são arredondados nas contas com mais de dez mil seguidores e podem sofrer alterações diárias.




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