Indústria acaba de integrar a Bio-based Europe Alliance
Para o Presidente da APICCAPS “a participação portuguesa reforça o posicionamento da indústria nacional de calçado na transição para uma economia mais sustentável”.
A nova aliança constitui uma das iniciativas da Estratégia Europeia para a Bioeconomia e pretende aproximar produtores de matérias-primas, fornecedores de materiais e tecnologias e empresas compradoras, criando condições para acelerar o desenvolvimento de novos mercados e reduzir a dependência de recursos de origem fóssil. A Comissão Europeia estabeleceu como ambição mobilizar empresas comprometidas com a aquisição coletiva de 10 mil milhões de euros em materiais, produtos e aplicações de base biológica até 2030.
A participação da APICCAPS permitirá à indústria portuguesa de calçado acompanhar diretamente a definição das prioridades europeias neste domínio e contribuir para a construção dos mecanismos de funcionamento da nova aliança. Enquanto observadora, a associação poderá participar na discussão do modelo de governação, das eventuais orientações para compras e das condições de funcionamento da iniciativa, procurando assegurar que as soluções desenvolvidas respondem às necessidades concretas da indústria.
Portugal quer estar na linha da frente
A integração nesta iniciativa europeia surge num momento em que a indústria portuguesa de calçado está a concretizar um dos mais ambiciosos programas de modernização da sua história. Nos últimos três anos, o setor mobilizou mais de 100 milhões de euros em investimentos nas áreas da sustentabilidade, automação, robótica e inovação, procurando reforçar a sua competitividade internacional e acelerar a transição para novos modelos de produção.
Uma parte significativa deste esforço tem sido dirigida ao desenvolvimento de novos materiais, à valorização de resíduos industriais, à circularidade e à criação de soluções com menor impacto ambiental. Projetos como o BioShoes4All têm permitido mobilizar empresas, centros de investigação e entidades do sistema científico e tecnológico em torno de uma ambição comum: posicionar Portugal como uma referência internacional no desenvolvimento de soluções sustentáveis para o calçado.
Para o Presidente da APICCAPS, Luís a onofre, “a participação na Bio-based Europe Alliance representa uma oportunidade para reforçar a ligação entre os investimentos realizados em Portugal e as grandes prioridades da política industrial europeia”.
“A sustentabilidade deixou de ser apenas uma preocupação ambiental para se transformar numa dimensão essencial da competitividade industrial. Portugal realizou investimentos muito significativos nos últimos anos e pretende agora contribuir ativamente para a construção de uma nova geração de materiais, produtos e processos produtivos”, sublinhou Luis Onofre.
A associação considera igualmente fundamental que a Europa seja capaz de “transformar a investigação e a inovação em oportunidades concretas de mercado”. O desenvolvimento de novos materiais de base biológica terá de ser acompanhado pela criação de cadeias de abastecimento competitivas, pela existência de procura industrial e por condições que permitam às empresas incorporar essas soluções nos seus processos produtivos.
Uma nova oportunidade para a indústria europeia
A Bio-based Europe Alliance pretende precisamente responder a este desafio, criando sinais de procura mais previsíveis e aproximando a oferta de novas soluções das necessidades dos compradores europeus. A iniciativa tem natureza voluntária e não estabelece novas obrigações legais para as organizações participantes.
O lançamento oficial da aliança está a cargo da Comissária Europeia Jessika Roswall, responsável pelo Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular Competitiva, durante o Global Bioeconomy Summit, que decorre na capital irlandesa.
Num contexto de crescente concorrência internacional, a APICCAPS defende que a bioeconomia pode constituir uma oportunidade estratégica para a reindustrialização europeia, permitindo desenvolver novos produtos, valorizar recursos locais e criar cadeias de valor mais sustentáveis.
Para a indústria portuguesa de calçado, que exporta cerca de 90% da sua produção, a aposta em materiais inovadores e sustentáveis constitui também uma oportunidade para reforçar a diferenciação dos seus produtos e consolidar a presença nos segmentos de maior valor acrescentado.
“A Europa tem conhecimento, capacidade tecnológica e uma base industrial que importa preservar. O grande desafio consiste em transformar esse potencial em novas oportunidades económicas. A indústria portuguesa de calçado quer fazer parte dessa transformação”, conclui a associação.

