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Galeria Vittorio Emanuele II gera 90 milhões de euros por ano

Galeria Vittorio Emanuele II gera 90 milhões de euros por ano

21 Out, 2026

Em Milão as rendas de luxo batem recordes 


A valorização dos espaços comerciais e a chegada de grandes marcas internacionais fizeram aumentar em mais de 1.000% as receitas de arrendamento da Galeria Vittorio Emanuele II em 15 anos. Apesar dos valores recorde, o mercado imobiliário de retalho de luxo em Milão atravessa uma fase de maior prudência, marcada pelo adiamento de novas decisões de investimento.

O mercado imobiliário de retalho de luxo em Milão continua a demonstrar uma assinalável resiliência, apesar do abrandamento da atividade e da crescente prudência das marcas internacionais. Nas localizações mais exclusivas da cidade, as rendas comerciais atingem valores recorde, num contexto em que a incerteza económica está a levar muitas empresas a adiar decisões de expansão.

Na Via Montenapoleone e na Galeria Vittorio Emanuele II, as rendas chegam aos 22 mil euros por metro quadrado por ano, consolidando a posição de Milão como um dos principais destinos mundiais do comércio de luxo.

Contudo, por detrás das novas montras e das recentes inaugurações, o mercado atravessa um período de expectativa. Em 2026, a celebração de novos contratos de arrendamento praticamente estagnou.

Marcas adiam decisões de investimento
Os projetos de marcas como a Dior e a Prada, bem como as mudanças de posicionamento da Loewe e da Burberry, refletem decisões tomadas num contexto económico diferente do atual.

A incerteza macroeconómica, os custos energéticos e a maior cautela dos consumidores estão a condicionar as estratégias de expansão das principais casas de moda. Ainda assim, os indicadores apontam para a resiliência do setor imobiliário comercial.

Em Itália, o investimento em imobiliário de retalho ultrapassou os 2,5 mil milhões de euros no final do terceiro trimestre, sendo apontado um valor de 12,5 mil milhões de euros para o conjunto de 2026.

Uma das exceções ao atual clima de contenção é a Alo, marca norte-americana especializada em vestuário desportivo e de lazer, que prepara a abertura de uma loja de 1.500 metros quadrados no antigo espaço da Tiffany, no Corso Vittorio Emanuele. A inauguração está prevista para 2027, em frente à catedral de Milão.

Galeria Vittorio Emanuele II gera receitas recorde
Enquanto as principais ruas comerciais atravessam um período de maior prudência, a Galeria Vittorio Emanuele II reforça o seu peso económico e afirma-se como um dos ativos imobiliários mais rentáveis da cidade.

As receitas de arrendamento deste espaço histórico deverão atingir os 90 milhões de euros em 2026, face aos oito milhões registados em 2011. Trata-se de um aumento superior a 1.000% em 15 anos, impulsionado pela chegada de grandes marcas internacionais e pela estratégia de valorização dos espaços comerciais promovida pelo município de Milão.

Em declarações ao Milano Finanza Fashion, Francesca Zirnstein, diretora-geral da Scenari Immobiliari, afirma: “A Galeria é verdadeiramente a nossa pequena joia, consegue gerar receitas de arrendamento excecionais, graças a um trabalho de reposicionamento que foi realizado rapidamente nos últimos cinco a dez anos”. 
Nos últimos meses, foram assinados 40 contratos para espaços na Galeria, na sequência da conclusão de 12 concursos públicos. Dois outros concursos terminaram a 15 de setembro e todos os espaços estão atribuídos, pelo menos, até 2030.

O processo permitiu a entrada ou o reforço da presença de 15 marcas, entre as quais a The Bridge e a Montblanc, estando também prevista a chegada da Balenciaga.

A Galeria assume, assim, um papel cada vez mais relevante no mercado de luxo de Milão, em particular nos segmentos dos acessórios e da marroquinaria, funcionando como alternativa ao tradicional Quadrilatero della Moda.

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