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A China está a mudar. E o luxo também

A China está a mudar. E o luxo também

28 Set, 2026

Consumidores chineses estão a mudar


Durante mais de uma década, poucas palavras foram tão importantes para a indústria do luxo como “China”. O crescimento económico do país e o aparecimento de milhões de novos consumidores ajudaram a transformar o mercado chinês num dos grandes motores das marcas internacionais.

O impacto foi extraordinário. As grandes casas europeias abriram lojas, multiplicaram investimentos e adaptaram estratégias comerciais a um consumidor que parecia ter um apetite quase ilimitado por luxo.

Esse ciclo entrou agora numa nova fase, escreve a Business of Fashion. De acordo com a publicação, a economia chinesa atravessa um período mais complexo e os consumidores tornaram-se mais cautelosos. Ao mesmo tempo, uma nova geração cresceu rodeada de marcas internacionais e conhece muito melhor aquilo que está a comprar.

Já não basta colocar um logótipo num produto e aumentar o preço. Qualidade, criatividade, exclusividade e serviço passaram a ser avaliados com muito maior atenção. Também as marcas chinesas evoluíram. Em várias categorias, empresas locais estão a apresentar produtos sofisticados, identidades fortes e uma compreensão cultural do consumidor que as marcas ocidentais nem sempre conseguem acompanhar.

Para o luxo europeu, isso significa que competir na China será mais difícil, defende a BOF. A notoriedade continua a ter enorme valor, mas terá de ser acompanhada por produtos capazes de justificar preços cada vez mais elevados.

Esta mudança pode ter consequências ao longo de toda a cadeia de valor. Quando o consumidor exige mais produto, as marcas acabam por exigir mais dos seus fornecedores: melhores materiais, acabamentos, inovação, rapidez de desenvolvimento e níveis superiores de qualidade.

Para a Business of Fashion, o calçado e os artigos de pele encontram-se precisamente entre as categorias onde estes fatores são mais visíveis. É relativamente fácil comparar dois pares de sapatos. É muito mais difícil esconder diferenças de construção, materiais ou conforto.

A China não deixou de ser importante para o luxo. Continua a ser um mercado demasiado grande para ser ignorado.

Mas talvez tenha terminado a fase em que bastava estar presente para crescer. A próxima batalha será muito mais exigente: convencer um consumidor que já conhece o luxo e começa a perguntar se aquilo que está a comprar vale realmente o preço.


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