APICCAPSAPICCAPSAPICCAPS
Facebook Portuguese Shoes APICCAPSYoutube Portuguese ShoesAPICCAPS

A produção poderá regressar à Europa?

A produção poderá regressar à Europa?

28 Set, 2026

Pandemia, guerras, tensões comerciais, tarifas, problemas no transporte marítimo e instabilidade geopolítica mudam cenário


Durante décadas, a indústria da moda seguiu uma regra relativamente simples: produzir onde fosse mais barato. China, Vietname, Bangladesh, Índia e outros grandes centros industriais asiáticos tornaram-se fundamentais para abastecer as marcas internacionais.

A globalização permitiu construir cadeias de abastecimento extraordinariamente eficientes. Uma marca podia desenvolver um produto na Europa ou nos Estados Unidos, produzi-lo a milhares de quilómetros de distância e colocá-lo nas lojas a um preço competitivo.

Só que as contas estão a mudar, defende a Business of Fashion. Pandemia, guerras, tensões comerciais, tarifas, problemas no transporte marítimo e instabilidade geopolítica mostraram às empresas que o preço à saída da fábrica é apenas uma parte do verdadeiro custo de um produto.

Há também que contabilizar stocks, transporte, prazos de entrega, risco cambial, capacidade de reposição e, cada vez mais, a possibilidade de uma alteração política mudar completamente as condições de acesso a determinado mercado.

Ao mesmo tempo, a própria moda acelerou. As marcas precisam de perceber o que está a vender e reagir rapidamente. Produzir enormes quantidades com meses de antecedência significa assumir um risco cada vez maior num mercado em que o consumidor é menos previsível.

É neste contexto que conceitos como nearshoring e sourcing de proximidade regressaram à agenda. Não necessariamente para substituir a produção asiática, mas para construir cadeias de abastecimento mais diversificadas e capazes de responder rapidamente.

A Europa dificilmente conseguirá competir com alguns mercados asiáticos exclusivamente através do custo da mão de obra. Mas pode competir em fatores que ganharam valor: rapidez, flexibilidade, pequenas séries, qualidade, inovação, rastreabilidade e proximidade.

Para o calçado, esta discussão é especialmente relevante. Trata-se de um produto complexo, com muitos componentes, processos industriais especializados e uma relação particularmente próxima entre desenvolvimento e produção.

De acordo com a Business of Fashion, “não estamos perante um regresso em massa da produção à Europa. Mas o mapa mundial do sourcing está novamente em movimento. E, desta vez, produzir perto pode valer mais do que simplesmente produzir barato”.

Portugal parte com uma vantagem: o ecossistema industrial continua a existir. Fabricantes, componentes, solas, curtumes, tecnologia, centros de conhecimento e mão de obra especializada estão concentrados geograficamente.


Partilhar:

Últimas Notícias