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APICCAPS reúne Conselho Consultivo

APICCAPS reúne Conselho Consultivo

11 Mai, 2026

APICCAPS promove reunião alargada para discutir momento do setor 


O setor do calçado reuniu, no passado dia 18 de abril, em Vila Nova de Gaia, os Órgãos Sociais e o Conselho Consultivo da APICCAPS para debater o futuro coletivo da indústria. Num contexto internacional exigente, marcado por incerteza económica e tensões geopolíticas, ficou clara a determinação de continuar a afirmar Portugal como uma referência global. Em cima da mesa estiveram temas decisivos: a definição de um plano de ação para a qualificação, a conjuntura internacional do comércio e a estratégia de internacionalização. Três pilares fundamentais para reforçar a competitividade das empresas e preparar o setor para os desafios que se avizinham.

Na abertura dos trabalhos, o Presidente da APICCAPS destacou o compromisso dos empresários presentes, sublinhando que é precisamente esta visão conjunta, assente na cooperação, na qualificação e na ambição internacional, que continuará a impulsionar o setor do calçado português.

Qualificação

A qualificação da fileira assumiu um lugar central na agenda. Alberto de Castro destacou a necessidade de preparar as empresas num contexto de incerteza. O professor da Universidade Católica do Porto destacou a importância da qualidade das lideranças e do perfil dos trabalhadores de uma organização.

Foi consensual que o reforço das competências, em particular ao nível da gestão, da liderança e dos recursos humanos, é determinante para aumentar a produtividade e sustentar o crescimento do setor. Alberto de Castro sublinhou a necessidade de apostar em modelos de formação mais eficazes, próximos das empresas e orientados para resultados concretos. O reforço do ensino dual, a formação contínua e a valorização de competências práticas surgem como caminhos prioritários.

Ao longo do debate, empresários e especialistas convergiram na ideia de que a qualificação começa na liderança, mas exige também uma transformação mais ampla das organizações, incluindo melhores práticas de gestão, maior capacidade de planeamento e uma aposta consistente no desenvolvimento das equipas. Reiterou-se, portanto, que as iniciativas de qualificação devem abranger toda a estrutura empresarial, desde o chão de fábrica à administração da empresa, passando pelos quadros intermédios.

Para além do papel da qualificação, a discussão evidenciou igualmente a necessidade de acelerar ganhos de produtividade através da modernização dos processos produtivos e da integração de novas tecnologias, nomeadamente a inteligência artificial. Ainda assim, a dificuldade em atrair e reter talento continua a ser um dos principais constrangimentos do setor. A escassez de mão de obra qualificada, particularmente em funções técnicas, reforça a urgência de uma ação coordenada entre empresas, associações e entidades públicas.

Mercados internacionais e nova vaga de protecionismo

A conjuntura internacional do comércio foi outro dos temas em destaque. Apesar do abrandamento em algumas geografias e do aumento das tensões comerciais, foram identificadas oportunidades relevantes de crescimento. Entre os mercados com maior potencial destacam-se países europeus como Alemanha e Espanha, bem como economias fora da Europa, nomeadamente Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Médio Oriente. Ao mesmo tempo, foi assinalada a perda de relevância de alguns mercados tradicionais, como a China.
Num contexto de crescente protecionismo, marcado por novas barreiras comerciais erguidas pela nova administração norte-americana, foi sublinhada a importância da resposta internacional a estes desenvolvimentos: uma clara tendência de aprofundamento da liberalização e diversificação das relações comerciais, com mais de 15 acordos comerciais negociados desde o “Liberation Day” (sem contar com os acordos negociados com os Estados Unidos). Em seguida, analisou-se em concreto os acordos negociados pela União Europeia com a Índia, a Indonésia, a Austrália e o Mercosul.

Compromisso com o futuro

Um dos consensos mais fortes deste encontro foi a necessidade de reforçar o valor acrescentado do setor. Para tal, as empresas são chamadas a investir na diferenciação, na inovação e, sobretudo, no desenvolvimento de marcas próprias. A criação de valor está cada vez mais associada à experiência proporcionada ao consumidor, à identidade da marca e à capacidade de construir uma narrativa consistente e distintiva no mercado global – ou seja, o capital intangível.
Neste contexto, a transição de um modelo assente predominantemente na produção para terceiros para uma estratégia mais centrada em marca própria surge como um desafio estratégico para o futuro da indústria. Assim, a APICCAPS reafirmou o seu compromisso com o desenvolvimento do setor, destacando a aprovação de novos projetos para o período 2026-2027, com foco na internacionalização e na qualificação das empresas. 
A associação continuará a promover o setor nos principais palcos internacionais, através da participação em feiras, missões empresariais e ações de promoção externa, reforçando a visibilidade e o posicionamento do calçado português nos mercados globais. Em simultâneo, desenvolverá projetos que apoiem a qualificação das empresas em competências organizacionais e processuais, nomeadamente na transição digital da sua atividade e na otimização de ferramentas de marketing, reforçando a capacidade das empresas do cluster se destacarem nos mercados externos.

O Conselho Consultivo voltou, assim, a demonstrar a capacidade do setor para refletir de forma estratégica sobre o seu futuro, num espírito de colaboração que permanece um dos seus principais ativos.

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