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Geração 5.0: Dalida de Freitas Durier

Geração 5.0: Dalida de Freitas Durier

1 Jul, 2026

Conheça Dalida de Freitas Durier, da VIRAL


A VIRAL é uma marca de bolsas nascida da observação do real e das cenas do quotidiano. Criada por Dalida de Freitas Durier, a marca explora uma ideia simples: a beleza não vem da encenação, mas da justeza dos fragmentos da vida.

Trabalhar na indústria de calçado foi uma escolha natural?
Nasci e cresci em França, onde também concluí os meus estudos em gestão. Trabalhei durante vários anos em recursos humanos e consultoria, desenvolvendo uma visão profundamente humana das pessoas, das marcas e das relações.

O design entrou na minha vida de forma intuitiva e não académica.Aprendi através da observação, da sensibilidade, da experiência e da criação.
Uma abordagem livre, instintiva e pessoal, que hoje dá identidade ao meu trabalho. Criar malas e trabalhar com pele, sobretudo pele inutilizada. foi uma escolha natural. Sempre fui fascinada pela textura, pelo cheiro e pelo toque da pele. É uma matéria viva, que evolui com o tempo, ganha marcas, profundidade e carácter.
Cada peça transforma-se com quem a usa.  
Por isso, para mim, a pele não é apenas um material: também conta uma história.

Como definiria a marca e como se distingue no mercado?
A Viral define-se pela fusão entre a crueza do design contemporâneo e a alma do artesanato autêntico. Criamos malas e acessórios de pele que desafiam os códigos tradicionais: são peças de afirmação, feitas para durar e para marcar uma presença.

Design Anti-Code (fora da caixa, sem Logótipos): Não seguimos tendências passageiras nem criamos peças para quem quer ser um painel publicitário de outras marcas. O nosso design é geométrico e marcante, feito exclusivamente para quem não entra em nenhuma caixa e prefere a força da sua própria identidade ao peso de um logótipo.

A matéria com história (Upcycling): Trabalhamos com peles inutilizadas (deadstock). Escolher esta matéria-prima é uma escolha natural e ética. Para nós, a pele é uma matéria viva,  o seu cheiro, a sua textura, o seu toque , e o facto de evoluir com o tempo significa que cada peça continua a contar uma história única com quem a usa.

Exclusividade e Atitude: Longe da produção em massa, a Viral traz o luxo da exclusividade e do saber-fazer, transformando o desperdício em peças de desejo de alto impacto visual e magnético."

Quais têm sido os maiores desafios até agora?
Diria que a dureza da Indústria. Como marca emergente, o início do trabalho com as fábricas portuguesas foi um teste de resiliência. Muitas vezes enfrentei falta de abertura, a falta de escuta e uma postura muito rígida e pouco acolhedora por parte dos fabricantes, que tendem a desvalorizar quem está a começar com produções mais pequenas e conceptuais. Foi incrivelmente difícil encontrar parceiros que respeitassem o meu trabalho e a complexidade do meu design. Mas mantive-me firme: fiz questão de que a produção fosse em Portugal pela qualidade do saber-fazer, e superei essa barreira à força de persistência, exigindo o respeito e a qualidade que a Viral merece.

Por outro lado, a conquista da visibilidade. Num mercado dominado pelas grandes marcas e pelo ruído digital, emergir e fazer chegar a nossa voz ao público certo é um trabalho de resiliência diário. O desafio é furar a bolha sem perder a nossa essência e o nosso conceito 'Anti-Code'.

Por último, a complexidade do Upcycling. Trabalhar com lotes limitados de peles inutilizadas (deadstock) exige uma ginástica constante. Não há repetição fácil: quando o lote acaba, o modelo tem de se reinventar. Transformámos esta enorme restrição logística na nossa maior força: a exclusividade absoluta

Que conselho daria a um jovem que está a começar na indústria?
O meu conselho é realista e muito ancorado naquilo que é a prática do terreno. Quem começa nesta área tem de perceber, desde cedo, que não vale a pena viver obcecado com timings ou com a ideia de sucesso a longo prazo. O que funciona é uma visão muito mais de curto prazo, focada em resolver uma etapa de cada vez, em avançar dia após dia, com consistência.

Depois há algo que considero essencial: a resiliência e a capacidade de não se perder pelo caminho. Não se trata apenas de não desistir, mas de manter a identidade intacta ao longo do percurso. É muito fácil, sobretudo no início, cair na tentação de copiar os outros ou de seguir tendências por conveniência. E isso, quase sempre, dilui aquilo que nos torna únicos.

Há também uma dimensão muito importante que é a de perceber o negócio como um todo. Não é só criar. É preciso perceber de criação, sim, mas também de vendas, de gestão, de comunicação, de contabilidade: de tudo. No fundo, é perceber se existe capacidade para lidar com todas estas frentes em simultâneo, porque liderar uma marca exige isso mesmo: uma visão global e muito exigente.

E depois há o equilíbrio entre instinto e rodearmo-nos bem. É importante confiar no próprio instinto, mas com a humildade de saber que ninguém faz isto sozinho. Ter as pessoas certas ao lado faz toda a diferença.

Por fim, acho essencial experimentar sem medo. Não deixar que o medo ou a opinião dos outros travem o processo antes dele acontecer. É importante tentar tudo o que faz sentido tentar. E se houver falhas, porque inevitavelmente elas existem, elas fazem parte do caminho e são, muitas vezes, o que mais ensina.
No fundo, não procurar atalhos. Construir um percurso próprio, com consistência, consciência e responsabilidade sobre aquilo que se está a criar.


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