“O setor do calçado em Portugal faz parte da identidade industrial do país"
O comissário europeu para a Economia e Produtividade, Valdis Dombrovskis, que coordena o PRR, considerou que a indústria portuguesa do calçado é um exemplo de como a Europa pode reforçar a sua competitividade através da inovação, da sustentabilidade e da aposta na qualidade, destacando os resultados alcançados pelo projeto BioShoes4All.
Numa mensagem transmitida em Bruxelas por Arnolds Eizensmits, membro do gabinete do comissário responsável por Portugal, Dombrovskis sublinhou que o setor do calçado demonstra a capacidade da indústria europeia para competir nos mercados internacionais “não por ser a mais barata, mas por ser melhor e mais fiável”.
“O setor do calçado em Portugal faz parte da identidade industrial do país. Reúne trabalhadores qualificados, empresas familiares, exportadores, designers, centros tecnológicos, investigadores e fornecedores”, afirmou, acrescentando que a indústria portuguesa tem revelado “uma notável capacidade de adaptação” às novas exigências dos mercados globais.
O responsável europeu destacou ainda o papel do projeto BioShoes4All, considerando que a iniciativa apoia áreas “diretamente ligadas à competitividade futura”, como os biomateriais, a eficiência dos recursos, as ferramentas digitais, a valorização de resíduos e a ligação entre a investigação e a indústria. “Este é o tipo de investimento de que a Europa precisa: direcionado, prático e ligado às necessidades reais da indústria”, declarou.
Dombrovskis recordou que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) português está a canalizar mais de 70 milhões de euros para duas grandes iniciativas do cluster do calçado: o BioShoes4All, com 41 milhões de euros, e o FAIST – Agile, Intelligent, Sustainable and Technological Factory, com 30 milhões de euros destinados à digitalização, automação e manufatura inteligente.
Na sua intervenção, o comissário defendeu também uma maior simplificação administrativa para as empresas europeias, especialmente as pequenas e médias empresas. “Se as regras forem demasiado complexas para implementar ou criarem encargos desproporcionados, não irão gerar a competitividade de que precisamos”, afirmou, assegurando que a simplificação “não significa baixar padrões”, mas sim tornar a regulamentação mais eficaz.
A concluir, Dombrovskis considerou que a indústria portuguesa do calçado demonstra que “tradição e modernização podem caminhar juntas” e que o investimento europeu pode ajudar as empresas a preparar o futuro. “A competitividade da Europa será construída passo a passo, por indústrias que inovam, empresas que investem e trabalhadores com as competências certas. A indústria portuguesa do calçado está a caminhar com confiança para o futuro e a ajudar a Europa a fazer o mesmo”, concluiu.