Bioeconomy in Motion: How Portugal is Shaping Europe's Sustainable Future
Perante representantes das instituições europeias, decisores políticos, empresários e investigadores, a indústria portuguesa do calçado apresentou o resultado de um processo de transformação que mobilizou mais de 70 milhões de euros em investimento nos últimos anos, grande parte dos quais apoiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). "Enquanto muitos discutem o futuro, nós escolhemos construí-lo", afirmou Luís Onofre, presidente da APICCAPS, defendendo que Portugal está a demonstrar, na prática, como a reindustrialização europeia pode acontecer. "A Europa fala de reindustrialização. Portugal está a fazê-la acontecer", acrescentou.
Segundo o responsável, o setor português optou por um caminho diferente daquele seguido por muitas economias concorrentes. "Portugal não escolheu competir pelo preço. Escolheu competir pelo conhecimento, pela inovação, pela sustentabilidade, pela tecnologia e pela criatividade", sublinhou.
Foi dessa visão que nasceu o BioShoes4All, um dos maiores projetos colaborativos alguma vez desenvolvidos pela indústria nacional, reunindo empresas, centros tecnológicos, universidades e marcas em torno de um objetivo comum: desenvolver o calçado do futuro. "Mais sustentável, mais inteligente, mais transparente e mais europeu", resumiu Luís Onofre.
O projeto mobilizador reúne cerca de 70 parceiros e estrutura-se em cinco pilares estratégicos: biomateriais, calçado ecológico, economia circular, tecnologias avançadas de produção e capacitação e promoção. Ao longo dos últimos anos, permitiu desenvolver novos produtos, biomateriais, soluções de reciclagem, processos produtivos mais eficientes e ferramentas digitais orientadas para a redução do impacto ambiental da indústria.
Num momento em que a União Europeia procura reduzir dependências externas, reforçar cadeias de valor estratégicas e recuperar capacidade industrial, a experiência portuguesa foi apresentada como um exemplo concreto de que a indústria continua a ser parte da solução. "Uma solução para a competitividade, para a inovação, para o emprego qualificado e para a autonomia estratégica da Europa", referiu.
A conferência decorreu poucos dias depois da Comissão Europeia apresentar a sua nova Estratégia para a Bioeconomia. Para Luís Onofre, esta aposta está profundamente alinhada com a história e o futuro do setor. "Os produtos de base biológica estão na génese da indústria do calçado. O couro foi provavelmente o primeiro material industrial e continua a ser um exemplo de valorização de um subproduto da indústria alimentar", destacou.
O presidente da APICCAPS defendeu que o BioShoes4All demonstra que uma economia assente em recursos biológicos é possível e viável na Europa. Ao longo dos últimos anos, o projeto permitiu desenvolver novos biomateriais, soluções de circularidade, processos produtivos mais eficientes e ferramentas digitais destinadas a reduzir o impacto ambiental da indústria.
Na sessão foi igualmente reforçada a necessidade de a reindustrialização europeia passar das intenções à ação. "A reindustrialização não pode continuar a ser apenas um slogan. Tem de se transformar numa política, num compromisso e numa prioridade", defendeu Luís Onofre, apelando a uma Europa que apoie quem produz, investe e inova, sem comprometer a competitividade no processo de transição verde.
A encerrar a conferência, o líder da indústria portuguesa do calçado deixou uma mensagem clara aos decisores europeus. "O futuro da Europa não deve ser importado. Deve ser concebido, desenvolvido e produzido na Europa". Uma convicção sustentada pelo percurso recente do setor português, que pretende continuar a afirmar-se como uma referência europeia na construção de uma indústria mais sustentável, tecnológica e competitiva.

