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Calçado português apresenta em Bruxelas um modelo para reindustrializar a Europa

Calçado português apresenta em Bruxelas um modelo para reindustrializar a Europa

8 Jun, 2026

Dia 16 de junho | REPER


O setor português do calçado vai estar em Bruxelas, no próximo dia 16 de junho, para afirmar uma convicção clara: a Europa só será mais competitiva, resiliente e sustentável se voltar a produzir. 

Numa iniciativa promovida pela APICCAPS e pelo Centro Tecnológico do Calçado de Portugal,que conta com o apoio da REPER e a CEC (Confederação da Industria Europeia de Calçado) , a indústria nacional apresentará a decisores políticos europeus um modelo de reindustrialização assente na inovação, na sustentabilidade e na produção de proximidade.

A sessão decorre na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia (REPER) e reunirá eurodeputados, responsáveis institucionais, empresários e parceiros europeus para debater o futuro da indústria europeia num contexto marcado por profundas transformações geopolíticas, económicas e ambientais. São esperados mais de 100 personalidades europeias.

Num mercado global onde se produzem mais de 24 mil milhões de pares de calçado por ano, dos quais cerca de 88% têm origem na Ásia, a Europa enfrenta o desafio de recuperar capacidade produtiva e reforçar a autonomia das suas cadeias de valor.

É neste contexto que Portugal se apresenta como um cas de estudo. Nas últimas décadas, o setor nacional do calçado construiu uma posição de referência internacional baseada na qualidade, no conhecimento, no design e na inovação tecnológica. Agora, quer demonstrar que é possível produzir na Europa, criar valor e competir à escala global.

“É possível fabricar calçado de excelência na Europa, de forma sustentável, inovadora e economicamente viável”, defende Luís Onofre, Presidente da APICCAPS. “Acreditamos que a indústria tem um papel central no futuro do projeto europeu e queremos contribuir ativamente para essa reflexão.”

Nos últimos três anos, o setor concretizou o maior investimento coletivo da sua história, mobilizando mais de 100 milhões de euros ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O objetivo foi preparar a indústria para uma nova geração de desafios, acelerando a transição digital e ambiental.

Entre os projetos mais emblemáticos destaca-se o BioShoes4All, uma iniciativa de cerca de 70 milhões de euros que envolveu mais de 60 parceiros -empresas, universidades e centros tecnológicos - e que está a transformar a cadeia de valor do calçado através do desenvolvimento de biomateriais, da digitalização dos processos produtivos, da valorização de resíduos e da promoção de modelos de economia circular.

Para Luís Onofre, o debate sobre a indústria europeia é hoje uma questão estratégica. “Continuamos a acreditar no futuro da produção industrial na Europa. Mas a reindustrialização exige uma visão clara, políticas consistentes e condições de concorrência justas à escala global”, afirma.

A sessão de Bruxelas, que envolve vários outros setores de atividade a convite da APICCAPS, pretende precisamente reforçar esta mensagem: a Europa precisa de uma política industrial ambiciosa, capaz de valorizar a produção local, estimular a inovação e construir cadeias de valor mais resilientes, sustentáveis e competitivas. E o setor português do calçado quer estar na linha da frente dessa transformação.


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