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Ferragamo: “um couro melhor é o pilar da nossa estratégia de sustentabilidade”

Ferragamo: “um couro melhor é o pilar da nossa estratégia de sustentabilidade”

15 Mai, 2026

A Salvatore Ferragamo assinalou o Dia da Terra com uma reflexão sobre a sua estratégia de sustentabilidade. Foi nesse contexto que James Ferragamo, diretor de produto, e Davide Triacca, diretor de sustentabilidade, deram uma entrevista à WWD, onde abordaram o papel do couro na redução do impacto ambiental. Para a marca, “a alternativa ao couro é simplesmente um couro melhor”, uma ideia que resume a sua abordagem à sustentabilidade.
Nesse sentido, a marca procura conciliar o uso deste material com práticas mais responsáveis, apostando na redução do impacto ambiental e no reforço do seu compromisso com a criação de produtos duráveis e de elevada qualidade.
A empresa, que tem 97% dos seus fornecedores em Itália e metade dos seus fabricantes na Toscana, foi fundada em 1927 por Salvatore Ferragamo. Reconhecida mundialmente pela inovação no design de calçado e marroquinaria, construiu a sua reputação ao longo do século XX com foco no artesanato italiano, na qualidade dos materiais e na durabilidade dos produtos. Atualmente, a Ferragamo posiciona-se como uma casa de luxo contemporânea que combina tradição com inovação e responsabilidade ambiental.
Durante a entrevista, Triacca explicou que “o couro representa 3,5% do valor económico de um bovino. É verdade que consumimos demasiada carne, mas o couro que não é reaproveitado acabaria como desperdício. Gostamos de dizer que a alternativa ao couro é um couro melhor, e procuramos reduzir o seu impacto através da colaboração com fornecedores”.
Assim, o couro assume-se como um pilar fundamental da estratégia de sustentabilidade da Ferragamo, refletindo a aposta da marca em valorizar um material já existente na cadeia produtiva e em reduzir o desperdício através de práticas mais responsáveis. Esta abordagem tem permitido à empresa alcançar resultados positivos, conciliando qualidade, durabilidade e menor impacto ambiental.
Aliás, segundo Triacca, para uma marca de luxo, criar produtos duradouros e com menor impacto ambiental é essencial. Para ele, a sustentabilidade não aumenta necessariamente os custos, mas acrescenta valor: “Os clientes esperam isso, e temos de manter os mais altos padrões, sem transferir esses custos para eles.”
A Salvatore Ferragamo destacou ainda várias iniciativas de sustentabilidade, reforçando o seu compromisso com práticas mais responsáveis ao longo da cadeia de produção. Entre elas, encontra-se o investimento na preservação de quatro raças bovinas nativas da Toscana em risco de extinção, desenvolvido em parceria com as autoridades regionais e com a Universidade de Florença. Este projeto pretende apoiar os produtores locais, incentivar a continuidade da criação destas raças e, simultaneamente, garantir o acesso a matérias-primas de origem mais próxima e controlada.
Simultaneamente, a marca tem apostado na inovação de materiais. Atualmente, está a testar um fio semelhante ao nylon, produzido a partir de óleo de rícino e sem recurso a derivados de petróleo, o que representa uma alternativa às fibras sintéticas tradicionais. Além disso, está também a desenvolver um fio obtido a partir de resíduos de couro regenerado, que, quando combinado com algodão orgânico italiano, permite criar novos tecidos mais sustentáveis e alinhados com princípios de economia circular, uma vez que valoriza subprodutos que, de outra forma, seriam descartados.

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