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BioShoes4All: The Final Step - Tornar a sustentabilidade o futuro da indústria do calçado

BioShoes4All: The Final Step - Tornar a sustentabilidade o futuro da indústria do calçado

23 Out, 2025

Como será o futuro da indústria daqui a 10 anos?


Como imaginamos a indústria do calçado daqui a 10 anos em Portugal? Podemos garantir uma transição para a economia circular ágil e efetiva? Que novas oportunidades se abrem com a transformação digital, com os novos biomateriais e com a colaboração entre indústrias? 

O último painel do dia “Uma visão de futuro”, que contou com a moderação de Claúdia Pinto, da APICCAPS, teve como oradores André Ribeiro, da empresa de calçado Ambitious, Joana Campos e Silva, da MODAPORTUGAL/CENIT, o Nuno Aguiar, da Associação Portuguesa dos Industriais do Plástico, Sara Nunes, da empresa de cortiça 3D Cork e Sérgio Oliveira, da empresa de curtumes Simaca, e teve como foco os desafios e as oportunidades de amanhã da indústria. 

André Ribeiro na sua intervenção defende que “no caso específico da Ambitious o consumidor não é sensível aos argumentos de sustentabilidade e que procuram um produto intemporal durável, resistente e confortável”. Mesmo abraçando alternativas sustentáveis estas só acrescentam valor, mas não só prioridades. 

Joana Campos e Silva partilha da mesma opinião: “Acredito que o consumidor não se move pela sustentabilidade no ato de comprar, mas sim pelo fator emoção”. Acrescenta ainda que a implementação DPP será muito complicada porque, além desta visão de que o consumidor não se move pela sustentabilidade, existem muitas cadeias de valor que não estão digitalizadas. Contudo, defende que “como empresas têm obrigação de implementar a inovação e a sustentabilidade diariamente no produto pelo fator diferenciação e pela mudança de paradigma”.  

Já Sérgio Oliveira enfatiza que mesmo com “a vilificação do couro, nos últimos anos foi possível demonstrar que este material é duradouro e tem propriedades de resistência que não são replicáveis noutros materiais”, motivo pelo qual os consumidores estão a mudar a sua visão. 

Joana Campos e Silva é da opinião que “é preciso desmistificar que a sustentabilidade é algo tão orgânico e não podemos reduzir a sustentabilidade à matéria prima, porque não é todo verdade”. Destaca as linhas de trabalho desenvolvidas no âmbito da redução do consumo da água, do uso de matérias primas locais (com menor pegada ecológica) e da reciclagem dos componentes de calçado e dos próprios resíduos da indústria. 

Na sua intervenção, Nuno Aguiar esclarece que “há todo um conjunto de características que fazem dos plásticos no seu global um verdadeiro aliado da sustentabilidade quer ao nível dos próprios recursos consumidos, como é o caso da água (é praticamente inexistente), da sua utilização, do consumo de energia e das emissões com gás e efeito de estufa”.  Partilha ainda que “esta perceção negativa acaba por resultar não do material em si, mas daquilo que nós fazemos dele no fim de vida, principalmente em países subdesenvolvidos”. 

A 3D Cork, que se dedica à produção de componentes para calçado em cortiça, tem como objetivo “aliar um setor tradicional com outros materiais ecológicos recicláveis, reciclado”. Sara Nunes acredita que nos próximos 10 anos, além de todas estas questões da digitalização, da sustentabilidade e da utilização da IA nas produções, a indústria terá de se focar na educação do consumidor e na mudança de mentalidade: “não basta a indústria transformar-se, não basta a indústria apresentar soluções sustentáveis, tem que haver uma valorização e uma procura do consumidor para estas soluções”. Joana Campos e Silva, por sua vez, afirma “que está na altura de falar de métricas de performance e perceber quem serão os alfaiates do futuro”. 

Sérgio Oliveira acrescenta que “o consumidor não se move pela parte da sustentabilidade, nem pelo facto de o produto ser sustentável, mas pela parte do preço”. Seguindo esta linha de pensamento, Sara Nunes acrescenta que é necessário” nivelar as coisas porque nem todos os produtos sustentáveis são assim tão caros nem os outros devem ser assim tão baratos”, enfatizando “que é o momento da Europa e Portugal baterem o pé e dizer não”, porque é impensável “conseguir concorrer com os preços do calçado asiático” e é, por isso, “que temos de exigir aos nossos responsáveis políticos o ponto de equilíbrio desta concorrência para o consumidor tomar uma decisão com base noutros fatores que não o preço”.


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