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O luxo ficou demasiado caro?

O luxo ficou demasiado caro?

28 Set, 2026

Existe um limite para o consumidor?


Nos últimos anos, comprar luxo tornou-se substancialmente mais caro. Malas, sapatos e acessórios de algumas das principais casas internacionais registaram sucessivos aumentos de preço, muitas vezes bastante acima da inflação.

A estratégia fazia sentido, defende a Business of Fashion. Em vez de procurar vender muito mais unidades, as marcas podiam aumentar receitas vendendo produtos mais caros e, simultaneamente, reforçar uma imagem de exclusividade.

Durante algum tempo, funcionou extraordinariamente bem. Mas existe um limite para aquilo que o consumidor está disposto a pagar. E os primeiros sinais de resistência começaram a aparecer.

A questão é particularmente evidente entre consumidores aspiracionais: clientes que ocasionalmente compram uma mala, um par de sapatos ou outro produto de entrada no universo do luxo. Para muitos deles, os preços começaram simplesmente a tornar-se demasiado elevados.

Ao mesmo tempo, subir preços cria outra obrigação: justificar esses preços. Um sapato de 900 ou 1.000 euros é analisado de maneira diferente de um produto que custa metade. O consumidor espera materiais, construção, design e experiência compatíveis.

É aqui que a discussão se torna interessante para a indústria. Se as marcas já não conseguirem crescer apenas através do preço, terão de voltar a crescer através do produto.

Isso significa criar novidade, melhorar qualidade, trabalhar novos materiais, desenvolver construções diferentes e colocar no mercado artigos que o consumidor considere suficientemente especiais para comprar.

Também poderá obrigar a uma revisão da relação entre marcas e fornecedores. Procurar exclusivamente o menor preço de produção é difícil de conciliar com a necessidade de criar produtos extraordinários.

O luxo não vai tornar-se barato. Exclusividade e preço continuarão a fazer parte do seu ADN.

Mas depois de vários anos em que aumentar preços parecia uma estratégia quase automática, o mercado está a recordar às marcas uma velha regra: quanto maior é o preço, maior tem de ser a razão para comprar, escreve a Business of Fashoin.


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