Cenário desafiante
O setor global da moda enfrenta 2026 num cenário descrito pelos executivos como “desafiante”, marcado por crescimento moderado, pressão sobre margens e mudanças profundas no comportamento do consumidor. A conclusão surge no relatório “The State of Fashion 2026”, elaborado pela Business of Fashion e pela McKinsey, que analisa as principais tendências e riscos da indústria.
De acordo com o relatório da BoF, “a indústria enfrenta um contexto económico volátil, com tensões comerciais, inflação persistente em vários mercados e cadeias de abastecimento ainda vulneráveis. Ao mesmo tempo, a tecnologia, em particular a inteligência artificial, está a transformar rapidamente o modo como as empresas produzem, vendem e interagem com os clientes”.
Uma das principais conclusões do relatório é que o crescimento global da moda deverá continuar, mas a um ritmo mais moderado do que no período pós-pandemia. O setor enfrenta pressões de custos ao nível das matérias-primas, energia e logística, que dificultam a recuperação das margens.
As tensões comerciais e políticas tarifárias também estão a redesenhar as cadeias de fornecimento globais, levando muitas empresas a repensar estratégias de sourcing e produção.
Já o comportamento do consumidor “está a mudar de forma significativa”. Com efeito, “o relatório identifica um consumidor mais cauteloso e seletivo nas compras, que privilegia valor, qualidade e durabilidade”.
Entre as tendências mais marcantes estão “maior procura por valor e preços competitivos, sobretudo nos segmentos médio e mass market”, “consumidores mais conscientes, que equilibram preço, sustentabilidade e qualidade” e “mudança nas prioridades de consumo, com maior peso para saúde, bem-estar e experiências”. Para a Business of Fashion e McKinsey “esta transformação exige que as marcas ajustem o posicionamento, a oferta e as estratégias de comunicação”.
Revolução tecnológica
Adicionalmente, a “inteligência artificial deixa de ser apenas uma vantagem competitiva e passa a ser uma necessidade estratégica para as empresas do setor da moda”. Segundo o relatório, a IA terá impacto em várias áreas como “personalização da experiência do cliente, previsão de procura e gestão de inventário, design assistido por dados e automação de processos e marketing”.
Acresce que muitas funções profissionais dentro das empresas deverão tornar-se mais orientadas para o uso de IA, alterando perfis de competências.
Luxo em fase
de reajuste
O segmento de luxo, que liderou o crescimento da indústria nos últimos anos, enfrenta agora um período de recalibração. A procura continua forte, mas cresce a um ritmo mais moderado, sobretudo devido à desaceleração em alguns mercados-chave.
Ainda assim, o luxo mantém margens mais elevadas e maior resiliência face às oscilações económicas.
Cadeias de abastecimento
em transformação
Outro tema central do relatório é a reorganização das cadeias de fornecimento globais. As Empresas procuram “diversificar fornecedores”, “reduzir riscos geopolíticos”, “aproximar produção de mercados de consumo” e “aumentar transparência e sustentabilidade”. Estas mudanças poderão alterar os fluxos internacionais de produção de moda nos próximos anos.