Mercados para acompanhar com atenção
ALEMANHA
A economia alemã mantém-se como a maior da União Europeia e um mercado-chave para bens industriais e de consumo de qualidade. Apesar de um crescimento recente mais contido, a Alemanha continua a influenciar fortemente a dinâmica económica europeia, sobretudo através das exportações.
No calçado, trata-se de um mercado exigente e o mais relevante para a indústria portuguesa, com forte valorização de design funcional, durabilidade e sustentabilidade. Há procura consistente por marcas com certificações ambientais e cadeias de fornecimento transparentes. O calçado português encontra espaço sobretudo nos segmentos premium, via retalho especializado e concept stores.
No último ano, de acordo com o World Footwear, a Alemanha importou 651 milhões de pares de calçado, no valor de 12 360 milhões de dólares. China (quota de 43%), Vietname (19%) e Indonésia (6%) são os mais relevantes. A nível europeu, Itália já exporta para o mercado alemão mais de 950 milhões de euros.
Para a APICCAPS, ainda há potencial para crescimento do mercado alemão. Importa afinar a abordagem e considerar o regresso às feiras e showrooms, a exemplo do que fazem os concorrentes italianos e espanhóis, investir em materiais comerciais em alemão, apresentar certificações ambientais e otimizar a logística para reduzir tempos de resposta.
AUSTRÁLIA
Economia estável, elevado rendimento per capita e forte orientação para consumo de lifestyle, moda casual e calçado confortável. O mercado australiano combina retalho físico qualificado com um e-commerce em crescimento.
O consumidor valoriza qualidade, durabilidade e sustentabilidade, especialmente em produtos adequados a um estilo de vida urbano e outdoor. De acordo com o World Footwear, em 2024, a Austrália importou 37 milhões de pares de calçado, no valor de 615 milhões de euros, em especial do Brasil (34% de quota de mercado), Vietname (27%) e Indonésia (24%).
Para a APICCAPS, há enquadramento para posicionar o calçado português nos segmentos premium e conforto, devendo para isso apostar em distribuidores locais e comunicar atributos de sustentabilidade e origem europeia.
CANADÁ
Economia estável, rendimento per capita elevado e consumo concentrado em grandes centros urbanos como Toronto, Montréal e Vancouver. O consumidor canadiano revela elevada sensibilidade à qualidade, conforto e sustentabilidade.
O mercado funciona bem como extensão natural da estratégia norte-americana, com vantagens logísticas e afinidade cultural. O calçado português posiciona-se bem em segmentos premium, mas também ao nível do conforto e outdoor. Uma entrada faseada, a aposta em distribuidores especializados e o reforço do posicionamento sustentável são elementos a ter em conta.
No último ano, de acordo com o World Footwear, o Canadá importou 151 milhões de pares de calçado, no valor de 2 464 milhões de dólares. China (52%), Vietname (23%) e Indonésia (6%) representam quase 80% do mercado.
CHINA
Simultaneamente concorrente produtivo — a China assegura praticamente 56% da produção mundial de calçado — e mercado de consumo de enorme escala. O país aposta cada vez mais no consumo interno, com crescimento dos segmentos premium nas grandes cidades.
Para o calçado português, não se trata de um mercado prioritário, mas é um mercado a acompanhar com atenção, na medida em que poderão surgir oportunidades na diferenciação pela origem, na qualidade e no design europeu, evitando a competição direta em preço. Do ponto de vista estratégico, importa privilegiar uma abordagem seletiva, com foco nas principais cidades, parceiros locais fiáveis, storytelling forte e proteção dos canais de distribuição.
COREIA DO SUL
Economia avançada, fortemente orientada para tendências. O consumidor urbano sul-coreano valoriza design contemporâneo, inovação e marcas com identidade clara. A Coreia do Sul funciona como mercado amplificador de reputação na Ásia, sobretudo através de Seul, influencers e e-commerce.
Reforçar a presença portuguesa no território, nomeadamente através do showcase Portuguese Shoes em Seul, deverá ser uma prioridade. Existem também oportunidades no investimento em marketing digital local, parcerias com marketplaces e colaborações com influencers ou marcas de K-fashion.

