Os resultados dos projetos BioShoes4All e FAIST vão estar em destaque na Lineapelle e na Simac Tanning Tech, duas das mais importantes feiras internacionais da indústria do calçado.
A indústria portuguesa do calçado prepara-se para apresentar, em Milão, uma nova geração de materiais, componentes, equipamentos e processos produtivos desenvolvidos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Entre 15 e 17 de setembro, a Fileira do Calçado marcará presença na Lineapelle e na Simac Tanning Tech, dois dos principais pontos de encontro mundiais para as indústrias do calçado, componentes, curtumes, marroquinaria, máquinas e tecnologias.
“Depois de três anos de investimento, investigação e desenvolvimento, é tempo de apresentar estas inovações aos compradores internacionais e de transformar o conhecimento criado em novas oportunidades de negócio”, afirma Luís Onofre, presidente da APICCAPS.
Bioeconomia em destaque
Na Lineapelle, feira internacional dedicada às peles, materiais, acessórios e componentes, o destaque português será o BioShoes4All. Considerado o maior projeto colaborativo alguma vez desenvolvido pela indústria portuguesa do calçado nas áreas da bioeconomia, sustentabilidade e inovação industrial, o projeto reuniu 69 parceiros e mobilizou um investimento de cerca de 60 milhões de euros.
Ao longo de quatro anos, o BioShoes4All gerou mais de 200 resultados científicos, tecnológicos e industriais. Entre as soluções desenvolvidas encontram-se materiais que incorporam resíduos de origem agroindustrial, novos couros e acabamentos de base aquosa, componentes reciclados ou recicláveis, borrachas com elevada incorporação de matérias-primas biológicas e processos destinados a reduzir a utilização de energia, água e produtos químicos.
Várias destas soluções já ultrapassaram a fase de laboratório e estão prontas para aplicação industrial. A participação na Lineapelle permitirá apresentá-las diretamente a marcas, fabricantes, designers e compradores internacionais, num momento em que o setor procura transformar o conhecimento criado pelo projeto em produtos comercializáveis e numa vantagem competitiva duradoura.
“O objetivo do setor é claro: queremos que Portugal seja a grande referência internacional no desenvolvimento de soluções sustentáveis para a indústria do calçado”, sublinha Luís Onofre. “Temos empresas, centros de conhecimento e talento altamente qualificado. O desafio passa agora por levar estas soluções ao mercado e conquistar a confiança das principais marcas internacionais.”
FAIST mostra a fábrica do futuro
Na Simac Tanning Tech, feira de referência para máquinas e tecnologias destinadas às indústrias do calçado, marroquinaria e curtumes, estará em evidência o projeto FAIST - Fábrica Ágil, Inteligente, Sustentável e Tecnológica. Liderada pela Carité, a agenda FAIST representa um investimento próximo dos 50 milhões de euros e foi criada para reforçar a capacidade tecnológica e produtiva do cluster português. O projeto envolveu o desenvolvimento de 34 novos produtos, processos e serviços, entre equipamentos avançados, linhas automáticas, sistemas digitais e unidades-piloto para testar e validar novas tecnologias.
As soluções que serão levadas à Simac procuram responder a alguns dos principais desafios da indústria: produzir séries pequenas e personalizadas com maior eficiência, automatizar operações exigentes, melhorar as condições de trabalho e reduzir o consumo de matérias-primas e energia.
A apresentação dos resultados do BioShoes4All e do FAIST em Milão assinala também uma nova etapa para a indústria portuguesa. Concluído o ciclo de investigação e desenvolvimento apoiado pelo PRR, o objetivo passa agora por levar as soluções ao mercado, conquistar clientes internacionais e transformar a inovação em negócio. Com esta participação, Portugal reforça a sua imagem enquanto produtor de calçado, componentes e tecnologias de elevado valor acrescentado, combinando conhecimento industrial, sustentabilidade, flexibilidade produtiva e capacidade de inovação.
Calçado acelera o passo
O setor português do calçado inicia setembro a toda a velocidade, ao integrar uma dezena de iniciativas no exterior, um projeto da APICCAPS em parceria com a AICEP, e o apoio do programa Compete 2030.
“Em apenas dois meses, praticamente 100 portuguesas integrarão ações em mercados internacionais, confirmando o dinamismo e a ambição exportadora do setor”, destaca Luís Onofre.
Destaque para a presença em Itália, com a presença de mais de 70 empresas divididas por MICAM (32), Lineapelle (31) e SIMAC (8).

