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Calçado português distancia-se do espanhol e consolida 2º posição na Europa

Calçado português distancia-se do espanhol e consolida 2º posição na Europa

3 Set, 2026

Portugal mantém o segundo lugar entre os produtores europeus


Portugal consolidou, em 2025, a ultrapassagem a Espanha na produção de calçado e mantém o segundo lugar entre os produtores europeus de calçado.

Com efeito, de acordo com os dados do World Footwear Yearbook 2026, Portugal subiu, em 2025, ao 18.º lugar entre os maiores produtores mundiais de calçado, numa lista liderava pela China, que assegura 55% da produção mundial. O estudo, publicado anualmente pela APICCAPS, mostra que a indústria portuguesa continua a reforçar o seu posicionamento internacional, apesar de operar num mercado particularmente exigente.

Em 2025, Portugal representou 0,3% da produção mundial em quantidade e 0,5% em valor. Cerca de 93% do calçado produzido no país foi vendido no exterior, para 174 mercados nos cinco continentes.

Portugal ocupou o 13.º lugar entre os maiores exportadores mundiais em valor, com vendas de 1.949 milhões de dólares, equivalentes a aproximadamente 1.718 milhões de euros, e o 17.º lugar em quantidade, com 69 milhões de pares exportados.

O preço médio de exportação aumentou 2,5%, para 28,25 dólares por par, mantendo Portugal na segunda posição mundial, atrás de Itália. Este indicador traduz a especialização das empresas portuguesas em segmentos de maior valor acrescentado, embora seja também influenciado pelos custos de produção, pela composição dos produtos exportados, pelos mercados de destino e pelas variações cambiais.

“A indústria portuguesa está a atravessar um período muito difícil, comum à generalidade dos grandes produtores mundiais. Ainda assim, Portugal tem conseguido resistir melhor do que muitos dos seus concorrentes e preservar uma posição internacional assente no valor, na qualidade e na capacidade de resposta das empresas”, afirma o diretor executivo da APICCAPS, Paulo Gonçalves.

Depois de dois anos de redução das vendas ao exterior, as exportações portuguesas de calçado cresceram 0,8% em 2025, contrariando a evolução negativa registada pelas indústrias italiana e espanhola.

Aumenta a incerteza
Em 2026 

Nos primeiros seis meses de 2026, as exportações nacionais recuaram 2,1% em termos homólogos, para 813 milhões de euros. A redução foi, porém, inferior à observada em Itália e Espanha, os dois grandes concorrentes de Portugal, com perdas acumuladas até maio de 4,3% E 7,3%, respetivamente.

A nível internacional, nos primeiros cinco meses de 2026, todos os grades players revelaram grandes dificuldades. A China acumula perdas de 10,9%, o Brasil de 15,7% e a Turquia de 5,3%. Já o Vietname, parece estar a resistir melhor do que os concorrentes asiáticos e recua apenas 1,3%.  

“Não podemos desvalorizar a contração das exportações, mas importa enquadrá-la num abrandamento generalizado do comércio mundial de calçado. Os resultados mostram que a estratégia portuguesa continua a ser adequada e que as empresas têm conseguido defender os seus mercados num ambiente de enorme pressão”, sustenta Paulo Gonçalves.

“O setor vive num clima de profunda pressão: aos conflitos armados na Ucrânia e no Médio Oriente continua a impactar a fileira da moda, reduzindo significativamente o acesso a mercados de luxo tradicionalmente importantes para as empresas portuguesas. Acresce todos os contendimentos lógicos, em particular no estreio de Ormuz, que em muito penalizam a atividade económica e influenciam o aumento dos custos”, defendeu o diretor executivo da APICCAPS

A Alemanha foi o principal destino do calçado português em 2025, representando 24% das exportações, seguindo-se França, com 20%, Países Baixos e Espanha, ambos com 11%, e Reino Unido, com 6%.

A indústria portuguesa está igualmente a diversificar os materiais e as categorias de produto. O calçado em pele passou de 69% das exportações há três anos para 58%, enquanto o peso dos produtos em borracha e plástico aumentou de 13% para 21% e o dos produtos têxteis subiu de 8% para 12%.

No calçado impermeável, Portugal já ocupa a quinta posição entre os maiores exportadores mundiais, com uma quota de 3,4% e vendas internacionais de 55 milhões de dólares.

Para Paulo Gonçalves, esta evolução demonstra que “a indústria está a adquirir novas competências, a diversificar a oferta e a reduzir a dependência das categorias mais tradicionais, sem abandonar o conhecimento acumulado ao longo de várias gerações”.

“A posição alcançada por Portugal deve ser valorizada, mas não permite qualquer complacência. As empresas enfrentam custos elevados, instabilidade geopolítica, maior pressão comercial e uma procura internacional menos dinâmica. Será necessário continuar a investir em inovação, sustentabilidade, qualificação e promoção externa para defender o espaço conquistado”, conclui.

O World Footwear Yearbook, lançado pela APICCAPS em 2011, analisa anualmente a produção, o consumo e o comércio internacional de calçado, incluindo informação detalhada sobre 84 mercados.




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