Num discurso dirigido a empresários em Paris, Ursula von der Leyen colocou a competitividade no centro das prioridades económicas europeias, numa altura em que a UE enfrenta custos elevados de energia, maior concorrência internacional e dificuldades em transformar a poupança existente em investimento produtivo.
A presidente da Comissão Europeia considera necessário reduzir os encargos administrativos das empresas, facilitar a criação e expansão de negócios dentro do mercado único e aumentar a capacidade industrial europeia.
Bruxelas pretende reduzir, até 2029, os encargos administrativos em 25% para as empresas e em 35% para as pequenas e médias empresas (PME).
Segundo os números apresentados pela presidente da Comissão, os pacotes de simplificação já acordados deverão permitir poupanças anuais na ordem dos seis mil milhões de euros, valor que poderá chegar a cerca de 17 mil milhões com a aplicação das restantes medidas previstas.
Entre as iniciativas em preparação encontra-se um regime empresarial europeu que deverá permitir constituir uma empresa através da Internet, em 48 horas e por um custo inferior a 100 euros.
Von der Leyen destacou também a necessidade de aproveitar melhor a capacidade financeira da Europa, lembrando que cerca de 10 biliões de euros das poupanças das famílias europeias permanecem depositados nos bancos.
A Comissão pretende canalizar uma parcela maior desses recursos para a economia através da União da Poupança e do Investimento.
As medidas propostas por Bruxelas para aprofundar os mercados financeiros e estimular o investimento poderão, segundo as estimativas apresentadas, disponibilizar até 470 mil milhões de euros adicionais para a economia europeia.
A responsável quer um acordo entre os Estados-membros sobre esta matéria até ao final deste ano e admitiu que, caso não seja possível reunir os 27 países, poderão avançar inicialmente os Estados que estejam disponíveis para o fazer.
O reforço da indústria deverá igualmente beneficiar do próximo orçamento da UE, com mais de 450 mil milhões de euros previstos através do futuro Fundo Europeu para a Competitividade e do programa Horizonte Europa, abrangendo áreas que vão da investigação e inovação à produção industrial.
A energia constitui outra das preocupações de Bruxelas. Os preços pagos na Europa continuam significativamente acima dos registados nos Estados Unidos e na China, prejudicando a competitividade das empresas europeias.
A Comissão pretende acelerar o investimento nas energias renováveis, eletrificação, redes e armazenamento, ao mesmo tempo que procura criar condições mais favoráveis para as empresas que invistam na descarbonização.
A partir de 2027 está também previsto um mecanismo com capacidade para mobilizar 30 mil milhões de euros para projetos industriais preparados para avançar, enquanto outro instrumento destinado à descarbonização industrial poderá mobilizar mais de 100 mil milhões de euros até 2030.
A inteligência artificial (IA) integra igualmente a estratégia europeia, estando previstos 20 mil milhões de euros para apoiar a criação de grandes infraestruturas dedicadas à tecnologia.
Von der Leyen alertou ainda para o desequilíbrio nas relações comerciais com a China, salientando o forte crescimento das importações chinesas nos últimos anos, enquanto as exportações europeias para aquele mercado têm diminuído.
A presidente da Comissão defendeu que a UE deve continuar aberta ao comércio internacional, mas exigindo maior reciprocidade e condições de concorrência equilibradas.
A estratégia apresentada pretende, assim, reduzir custos e burocracia, mobilizar capital existente na Europa e reforçar a produção industrial e o investimento em setores considerados estratégicos para diminuir a dependência económica europeia face a outras potências.

