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Moda portuguesa em destaque nas Nações Unidas

Moda portuguesa em destaque nas Nações Unidas

31 Ago, 2026

Indústria portuguesa apresenta em Nova Iorque um modelo assente na qualidade, inovação e sustentabilidade, num setor com mais de 6.000 empresas, mais de 7 mil milhões de euros de exportações e mais de 200 milhões de euros investidos nos últimos três anos


A indústria portuguesa da moda estará em destaque nas Nações Unidas, em Nova Iorque, no próximo dia 10 de setembro, por ocasião da Semana da Nova de Nova Iorque, através da iniciativa “Made to Matter: Portugal”, promovida no âmbito da United Nations Fashion and Lifestyle Network e realizada em paralelo com a New York Fashion Week.

A iniciativa, desenvolvida pela APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos e pelo CENIT – Centro de Inteligência Têxtil, com o apoio da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, pretende afirmar internacionalmente a capacidade competitiva da fileira portuguesa da moda.

Integrado na reunião anual da United Nations Fashion and Lifestyle Network, o encontro terá lugar na sede das Nações Unidas e procurará aproveitar a projeção internacional da New York Fashion Week para promover o debate em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Sob o mote “Made to Matter”, Portugal apresentará um modelo industrial que combina saber-fazer, inovação, colaboração, qualidade e sustentabilidade, demonstrando como estes fatores contribuíram para construir uma indústria da moda e do calçado globalmente competitiva.

Com mais de 6.000 empresas e exportações superiores a 7 mil milhões de euros, a fileira portuguesa da moda constitui um dos grandes setores exportadores da economia nacional e uma das expressões mais internacionais da indústria portuguesa. Presente nos principais mercados mundiais e integrada nas cadeias de valor de algumas das mais relevantes marcas internacionais, a indústria distingue-se pela flexibilidade, capacidade técnica, rapidez de resposta, produção de proximidade e por um conhecimento industrial acumulado ao longo de várias gerações.

Nos últimos três anos, o setor mobilizou mais de 200 milhões de euros de investimento, com o apoio do PRR, no âmbito dos projetos Lusitano (cuja agenda da Internacionalização esteve a cargo do CENIT) e BioShoes4All (coordenado pela APICCAPS) com particular incidência nos domínios da inovação, sustentabilidade, digitalização, novos materiais e modernização dos processos produtivos. Este esforço está a acelerar a transformação de uma indústria que pretende competir cada vez menos pelo preço e cada vez mais pelo conhecimento, tecnologia, criatividade, qualidade e capacidade de desenvolver soluções de elevado valor acrescentado para clientes internacionais.

“Estar nas Nações Unidas a apresentar a indústria portuguesa da moda representa o reconhecimento de um percurso de transformação que as nossas empresas têm vindo a realizar. Portugal possui uma indústria moderna, altamente qualificada e exportadora, capaz de conciliar o saber-fazer acumulado ao longo de décadas com tecnologia, inovação e novas exigências ambientais. Queremos mostrar ao mundo que produzir na Europa, e particularmente em Portugal, é hoje uma opção competitiva, responsável e de futuro”, afirma César Araújo, presidente da Comissão Executiva do consórcio do Projeto Lusitano, que apresentará os principais desenvolvimentos do projeto.

A Agenda Lusitano visa promover a reindustrialização da indústria têxtil e do vestuário nacional, através da concretização de atividades de I&D, inovação produtiva, formação e internacionalização, com o objetivo de reforçar a capacidade industrial e tecnológica do setor e contribuir para trazer de volta à Europa componentes estratégicas da sua cadeia de valor. Entre essas componentes destaca-se a capacidade de produzir fios a partir de fibras recicladas e naturais e, subsequentemente, desenvolver novos produtos têxteis e de vestuário inovadores e de elevado valor acrescentado.

Também Luís Onofre, presidente da APICCAPS, sublinha a dimensão estratégica desta presença: “A indústria portuguesa demonstrou que tradição e inovação não são conceitos opostos. Temos empresas com décadas de experiência que estão hoje na linha da frente da investigação, da automação, dos novos materiais e da sustentabilidade. Os investimentos realizados nos últimos anos traduzem uma ambição muito clara: queremos que Portugal seja reconhecido internacionalmente como uma referência na nova geração da moda, combinando criatividade e excelência industrial com uma produção cada vez mais responsável.” No que se refere ao setor do calçado, estará em destaque o projeto Bisoheos4all, que pretende transformar a indústria portuguesa do calçado numa referência internacional no desenvolvimento de soluções sustáveis. 

César Araújo e Luís Onofre serão os protagonistas de uma das conversas centrais do programa, moderada por Yasmine Dahlberg, da Business of Fashion, dedicada à forma como Portugal construiu uma indústria da moda e do calçado globalmente competitiva sem abdicar da qualidade ou da sustentabilidade e às lições que o modelo português pode oferecer a outros países produtores. O programa identifica igualmente a participação de Annemarie Hou, diretora executiva do UN Office for Partnerships, e de Carlos Moura, diretor e Trade and Investment Commissioner USA da AICEP.

A iniciativa dará ainda visibilidade à criatividade e à capacidade tecnológica portuguesas. O programa prevê um showcase dedicado ao trabalho, materiais e craftsmanship de designers portugueses e uma segunda conversa centrada no futuro da indústria, abordando inovação técnica, novos materiais, sustentabilidade e colaboração ao longo da cadeia de valor. Entre os participantes encontram-se Joana Duarte, fundadora e diretora criativa da Behén, Armando Cabral, designer e empresário, Maria José Ferreira, diretora de Investigação do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, e Kaleigh Tirone Nunes, da Petratex.

A presença nas Nações Unidas pretende, assim, projetar uma fileira que reúne têxtil, vestuário, calçado, componentes e artigos de pele e que está a responder aos grandes desafios internacionais através do investimento em conhecimento e tecnologia. A inovação de materiais, a durabilidade dos produtos, a eficiência dos processos, a circularidade e uma maior colaboração entre centros de investigação, fabricantes, marcas e criadores estarão no centro da discussão, numa demonstração de que sustentabilidade e competitividade podem constituir dimensões complementares de uma mesma estratégia industrial. Essa é, precisamente, uma das mensagens-chave definidas para o encontro.

“Portugal não quer apenas acompanhar o futuro da moda; quer ajudar a construí-lo. Temos talento, tecnologia e capacidade industrial para transformar sustentabilidade e inovação em vantagens competitivas nos mercados internacionais”, afirma Carlos Moura. O responsável pela delegação da AICEP em Nova Iorque defende que “os Estados Unidos são um mercado estratégico para a moda portuguesa. Existe uma oportunidade muito relevante para aproximar as nossas empresas de marcas, parceiros e investidores que procuram qualidade, inovação e uma produção cada vez mais responsável.”

Com o “Made to Matter: Portugal”, AICEP, APICCAPS e CENIT / ANIVEC pretendem reforçar o posicionamento internacional da moda portuguesa enquanto ecossistema industrial completo, inovador, sustentável e orientado para o mundo. Perante uma audiência internacional de marcas, designers, exportadores, produtores têxteis e de couro, investidores, especialistas em sustentabilidade e decisores políticos, Portugal procurará demonstrar nas Nações Unidas que qualidade, longevidade e produção responsável não constituem obstáculos à competitividade, mas podem ser alguns dos principais motores do sucesso futuro da indústria global da moda. 


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