Indústria portuguesa apresenta em Nova Iorque um modelo assente na qualidade, inovação e sustentabilidade, num setor com mais de 6.000 empresas, mais de 7 mil milhões de euros de exportações e mais de 200 milhões de euros investidos nos últimos três anos
A iniciativa, desenvolvida pela APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos e pelo CENIT – Centro de Inteligência Têxtil, com o apoio da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, pretende afirmar internacionalmente a capacidade competitiva da fileira portuguesa da moda.
Integrado na reunião anual da United Nations Fashion and Lifestyle Network, o encontro terá lugar na sede das Nações Unidas e procurará aproveitar a projeção internacional da New York Fashion Week para promover o debate em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Sob o mote “Made to Matter”, Portugal apresentará um modelo industrial que combina saber-fazer, inovação, colaboração, qualidade e sustentabilidade, demonstrando como estes fatores contribuíram para construir uma indústria da moda e do calçado globalmente competitiva.
Com mais de 6.000 empresas e exportações superiores a 7 mil milhões de euros, a fileira portuguesa da moda constitui um dos grandes setores exportadores da economia nacional e uma das expressões mais internacionais da indústria portuguesa. Presente nos principais mercados mundiais e integrada nas cadeias de valor de algumas das mais relevantes marcas internacionais, a indústria distingue-se pela flexibilidade, capacidade técnica, rapidez de resposta, produção de proximidade e por um conhecimento industrial acumulado ao longo de várias gerações.
Nos últimos três anos, o setor mobilizou mais de 200 milhões de euros de investimento, com o apoio do PRR, no âmbito dos projetos Lusitano (cuja agenda da Internacionalização esteve a cargo do CENIT) e BioShoes4All (coordenado pela APICCAPS) com particular incidência nos domínios da inovação, sustentabilidade, digitalização, novos materiais e modernização dos processos produtivos. Este esforço está a acelerar a transformação de uma indústria que pretende competir cada vez menos pelo preço e cada vez mais pelo conhecimento, tecnologia, criatividade, qualidade e capacidade de desenvolver soluções de elevado valor acrescentado para clientes internacionais.
“Estar nas Nações Unidas a apresentar a indústria portuguesa da moda representa o reconhecimento de um percurso de transformação que as nossas empresas têm vindo a realizar. Portugal possui uma indústria moderna, altamente qualificada e exportadora, capaz de conciliar o saber-fazer acumulado ao longo de décadas com tecnologia, inovação e novas exigências ambientais. Queremos mostrar ao mundo que produzir na Europa, e particularmente em Portugal, é hoje uma opção competitiva, responsável e de futuro”, afirma César Araújo, presidente da Comissão Executiva do consórcio do Projeto Lusitano, que apresentará os principais desenvolvimentos do projeto.
A Agenda Lusitano visa promover a reindustrialização da indústria têxtil e do vestuário nacional, através da concretização de atividades de I&D, inovação produtiva, formação e internacionalização, com o objetivo de reforçar a capacidade industrial e tecnológica do setor e contribuir para trazer de volta à Europa componentes estratégicas da sua cadeia de valor. Entre essas componentes destaca-se a capacidade de produzir fios a partir de fibras recicladas e naturais e, subsequentemente, desenvolver novos produtos têxteis e de vestuário inovadores e de elevado valor acrescentado.
Também Luís Onofre, presidente da APICCAPS, sublinha a dimensão estratégica desta presença: “A indústria portuguesa demonstrou que tradição e inovação não são conceitos opostos. Temos empresas com décadas de experiência que estão hoje na linha da frente da investigação, da automação, dos novos materiais e da sustentabilidade. Os investimentos realizados nos últimos anos traduzem uma ambição muito clara: queremos que Portugal seja reconhecido internacionalmente como uma referência na nova geração da moda, combinando criatividade e excelência industrial com uma produção cada vez mais responsável.” No que se refere ao setor do calçado, estará em destaque o projeto Bisoheos4all, que pretende transformar a indústria portuguesa do calçado numa referência internacional no desenvolvimento de soluções sustáveis.
César Araújo e Luís Onofre serão os protagonistas de uma das conversas centrais do programa, moderada por Yasmine Dahlberg, da Business of Fashion, dedicada à forma como Portugal construiu uma indústria da moda e do calçado globalmente competitiva sem abdicar da qualidade ou da sustentabilidade e às lições que o modelo português pode oferecer a outros países produtores. O programa identifica igualmente a participação de Annemarie Hou, diretora executiva do UN Office for Partnerships, e de Carlos Moura, diretor e Trade and Investment Commissioner USA da AICEP.
A iniciativa dará ainda visibilidade à criatividade e à capacidade tecnológica portuguesas. O programa prevê um showcase dedicado ao trabalho, materiais e craftsmanship de designers portugueses e uma segunda conversa centrada no futuro da indústria, abordando inovação técnica, novos materiais, sustentabilidade e colaboração ao longo da cadeia de valor. Entre os participantes encontram-se Joana Duarte, fundadora e diretora criativa da Behén, Armando Cabral, designer e empresário, Maria José Ferreira, diretora de Investigação do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, e Kaleigh Tirone Nunes, da Petratex.
A presença nas Nações Unidas pretende, assim, projetar uma fileira que reúne têxtil, vestuário, calçado, componentes e artigos de pele e que está a responder aos grandes desafios internacionais através do investimento em conhecimento e tecnologia. A inovação de materiais, a durabilidade dos produtos, a eficiência dos processos, a circularidade e uma maior colaboração entre centros de investigação, fabricantes, marcas e criadores estarão no centro da discussão, numa demonstração de que sustentabilidade e competitividade podem constituir dimensões complementares de uma mesma estratégia industrial. Essa é, precisamente, uma das mensagens-chave definidas para o encontro.
“Portugal não quer apenas acompanhar o futuro da moda; quer ajudar a construí-lo. Temos talento, tecnologia e capacidade industrial para transformar sustentabilidade e inovação em vantagens competitivas nos mercados internacionais”, afirma Carlos Moura. O responsável pela delegação da AICEP em Nova Iorque defende que “os Estados Unidos são um mercado estratégico para a moda portuguesa. Existe uma oportunidade muito relevante para aproximar as nossas empresas de marcas, parceiros e investidores que procuram qualidade, inovação e uma produção cada vez mais responsável.”
Com o “Made to Matter: Portugal”, AICEP, APICCAPS e CENIT / ANIVEC pretendem reforçar o posicionamento internacional da moda portuguesa enquanto ecossistema industrial completo, inovador, sustentável e orientado para o mundo. Perante uma audiência internacional de marcas, designers, exportadores, produtores têxteis e de couro, investidores, especialistas em sustentabilidade e decisores políticos, Portugal procurará demonstrar nas Nações Unidas que qualidade, longevidade e produção responsável não constituem obstáculos à competitividade, mas podem ser alguns dos principais motores do sucesso futuro da indústria global da moda.

