APICCAPSAPICCAPSAPICCAPS
Facebook Portuguese Shoes APICCAPSYoutube Portuguese ShoesAPICCAPS

Acordo com os EUA pode ser uma oportunidade para a indústria portuguesa de calçado

Acordo com os EUA pode ser uma oportunidade para a indústria portuguesa de calçado

30 Jul, 2025

Acordo pode ser uma oportunidade


“Tendo em conta o cenário alternativo de não acordo, que desencadearia uma agudização incontornável de realizações e contra retaliações, com consequências desastrosas para a economia europeia, é com relativo alívio que acolhemos este desfecho. Até porque ‘quando se espera um furacão, fica-se feliz com uma simples tempestade'”. A expressão é do diretor-geral da CIP, Rafael Alves Rocha. Para a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) trata-se de um “relativo alívio” o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos da América (EUA), mas avisou que o preço a pagar é elevado para ambas as partes.

Historicamente, o calçado português exportado para os Estados Unidos estava sujeito a tarifas na ordem dos 8% a 9% no caso do calçado de couro, e até 38% para determinados modelos fabricados com materiais sintéticos ou têxteis. O acordo agora anunciado pela Comissão Europeia substitui esse quadro por uma tarifa única de 15%, aplicável à generalidade dos bens exportados para os EUA.

“Neste momento, muitos dos detalhes do acordo ainda não estão totalmente definidos ou sequer tornados públicos. Ainda assim, a redução da incerteza no contexto internacional é, em si, uma notícia positiva para as empresas e para o setor como um todo”, considera Luís Onofre.
 
No caso do setor do calçado, esta medida traduz-se num acréscimo de apenas 5 pontos percentuais face à taxa média anterior, o que pode ser encarado como uma evolução favorável, sobretudo tendo em conta a instabilidade e imprevisibilidade dos últimos meses.

O Presidente da APICCAPS recordar, no entanto, que “é aguardar pela definição final dos termos do acordo e pela divulgação das condições tarifárias que serão aplicadas a outros grandes produtores mundiais, como China, Vietname, Índia e Brasil”. “Importa sublinhar que a aplicação de tarifas significativamente elevadas a alguns destes países poderá originar um desvio de fluxos comerciais para o mercado da União Europeia, fenómeno que deverá ser cuidadosamente monitorizado”, recordou Luis Onofre.
 
A importância do mercado
 

De acordo com o World Footwear Yearbook, os EUA são o maior mercado mundial de calçado. Anualmente, importam mais de 1.980 milhões de pares de calçado, em valores próximos dos 26 mil milhões de dólares. A China é tradicionalmente o maior fornecedor do mercado, com uma quota próxima dos 60% (o equivalente a 1200 milhões de pares), seguida de Vietname (quota de 23% referente a 461 milhões de pares) e Indonésia (quota de 6% alusivos a 129 milhões de pares em 2023).
 
Para Portugal, os EUA são um mercado estratégico, perfilando-se atualmente como o 6º mercado de destino das suas exportações. Na última década, as vendas portuguesas de calçado para os “states” duplicaram, atingindo valores próximos dos 100 milhões de euros no final de 2024. “Ainda que já exportemos mais de 90% da produção para 170 países, consideramos o mercado norte-americano estratégico e a grande aposta da indústria portuguesa de calçado para a próxima década”, considera o Presidente da APICCAPS.

Atendendo à realidade do mercado, o setor de calçado, através de iniciativas  da APICCAPS em parceria com a AICEP, e o apoio do Programa Compete 2030, tem em curso um plano de ações no mercado. Participação em certames profissionais, realização de missões de compradores, parceria com escolas de moda, presença na semana de Moda de Nova Iorque ou patrocínio a figuras públicas são algumas das iniciativas previstas na segunda metade do ano.
 
De acordo com Carlos Moura, Delegado da AICEP em Nova Iorque, “os Estados Unidos são um dos principais mercados para a oferta portuguesa, especialmente numa altura em que Portugal goza de grande popularidade entre os americanos”.
 
Para Carlos Moura “a grande estratégia para conquistar o mercado americano, sofisticado e dos mais competitivos do mundo, passa pela capacidade de investimento e resistência”. O Delegado da AICEP em Nova Iorque defende que, “mesmo em contexto de mudança, o mercado americano continua a ser uma prioridade, apresentando grandes oportunidades para as empresas portuguesas.
 
“O mercado dos Estados Unidos tem-se afirmado como uma prioridade para as empresas portuguesas”, recorda Carlos Moura, que dá como exemplo o setor do calçado: “após vários anos de forte investimento, começa agora a colher os frutos desse esforço”.
 

Partilhar:

Últimas Notícias