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BioShoes4All: The Final Step - Resultados práticos BioShoes4All

BioShoes4All: The Final Step - Resultados práticos BioShoes4All

21 Out, 2025

Taxa de Execução do projeto chega aos 85%


A apresentação dos resultados do BioShoes4All ficou a cargo de Maria José Ferreira, diretora de investigação CTCP e responsável pelo projeto, que destacou como principal objetivo “a transição do nosso cluster do calçado como um todo para uma economia mais baseada em recursos biológicos (biobased) em oposição aos recursos fósseis”. 

De facto, a transição para uma economia circular e para a descarbonização global do setor só é possível com o desenvolvimento de novos materiais e novos produtos de calçado mais sustentáveis, “utilizando metodologias de avaliação de impacto ambiental em todo o seu ciclo de desenvolvimento para garantir essa inocuidade”. 

O consórcio, constituído por 70 empresas e entidades, está a trabalhar no sentido de alcançar todo os objetivos a que se comprometeu e prova disso é a taxa de execução que ronda os 85%. Todos os resultados (mais de 150) e todo o trabalho estão imbuídos “de uma ambição e dinâmica ímpar” e, apesar de este ser o “final step”, Maria José Ferreira sublinha a importância da “continuidade deste projeto” e que “esta espiral de inovação sustentável que o projeto está a desenvolver” é apenas o primeiro passo para a preservação “da nossa espécie e da biodiversidade”.

Neste caminho da transformação do setor, a aposta do projeto fez-se maioritariamente no desenvolvimento de biomateriais, em calçado ecológico e em novas tecnologias. No total, já foram desenvolvidos 46 produtos de calçado e marroquinaria e destes 45 produtos possuem menos pegada ecológica, 44 menor pegada de carbono e 27 menor pegada fóssil.

Ao nível dos materiais, um dos trabalhos que foi realizado foi identificar biocargas, biofibras e subprodutos da indústria alimentar, da indústria florestal, da indústria agroindustrial (que não tenham utilização nem para alimentação humana, nem para alimentação animal) e que pudesse ser usada para fazer novos materiais e novos produtos químicos. Para a responsável do projeto “o uso destes materiais é também o contributo para a criação de novas cadeias de valor nacionais e aumentar a resiliência e autonomia da Europa e de Portugal”.

Nesse sentido, estes biomateriais e os seus estratos estão a ser usados para produzir os novos biocouros. Uma meta do projeto passa, assim, por transformar o couro num material reconhecido como sustentável, quer pelas suas características intrínsecas quer pelo conforto e pela durabilidade. Nesse contexto, transformaram-se cascas de pinheiro, folhas de oliveira ou borras de café em produtos químicos. Desta forma, foi possível criar couros 100% bio (biocouros) estabilizados quimicamente com estratos vegetais. 

O projeto investiu também, de modo significativo, na redução do consumo de água pela indústria de couros.  Em certos processos os resultados demonstraram uma redução de 20% do consumo de água e a sua recirculação. Por último, também foi tido como objetivo transformar os resíduos de produção da indústria do couro em ingredientes químicos para serem reintroduzidos no próprio couro e incorporar acabamentos de couros que não usa água nem compostos orgânicos voláteis. 
De salientar ainda, que o projeto tem apostado fortemente na digitalização e na robotização, é pioneiro na produção de calçado vulcanizado, está na vanguarda do desenvolvimento de biopolímeros, biosolas e bioborrachas (como o PVC, o TPU e o EVA) de origem natural feitas com casca de castanha e caroço de azeitona, e está fortemente empenhado na circularidade e rastreabilidade do calçado e na utilização da metodologia europeia designada de pegada ambiental de produto. Neste âmbito, desenvolveram-se várias plataformas, como o Shuo Agile Footprint Calculator, que permita à própria empresa de forma gratuita estimar a sua pegada ecológica.  

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