Forte subida do preço da energia
Recorda a Business of Fashion (BOF) que o estreito, por onde passa uma parte significativa do petróleo mundial, é vital para as economias asiáticas. Países como China, Índia e Bangladesh dependem do Golfo para cerca de 60% do seu abastecimento de crude, o que torna a região particularmente vulnerável a qualquer bloqueio ou restrição no transporte marítimo.
Num primeiro momento, “o impacto não é apenas financeiro, mas sobretudo operacional. Muitos polos industriais enfrentam dificuldades em garantir fornecimento de petróleo e gás suficientes para manter fábricas em funcionamento”.
Em simultâneo, “a escassez de seguros para navios que atravessam a zona de conflito está a criar estrangulamentos logísticos, dificultando o transporte de energia e matérias-primas essenciais para os centros de produção asiáticos”.
A Business of Fashion sublinha que “o setor têxtil é particularmente sensível ao preço do petróleo porque fibras sintéticas como o poliéster são derivadas diretamente do crude”. Em resultado, “fabricantes na China e na Índia já estão a enfrentar subida de preços e redução da oferta destes materiais. Em alguns clusters industriais indianos, fortemente dependentes de fibras artificiais, há receios de paralisação parcial da produção caso a crise energética se prolongue”.
Impacto no consumo
Apesar da pressão sobre os custos, o efeito imediato pode não ser uma subida rápida do preço da roupa. Em termos praticos, de acordo com a BOF, “muitos retalhistas ainda dispõem de inventários elevados, o que tende a adiar a transmissão da inflação para os consumidores”.
No entanto, especialistas alertam que “o impacto mais rápido poderá ser psicológico: receios de inflação e instabilidade económica podem reduzir a disposição dos consumidores para gastar em produtos de moda, afetando a procura antes mesmo de ocorrerem aumentos de preços”.
vulneráveis
Para a Business of Fashion “embora a indústria da moda tenha desenvolvido maior capacidade de adaptação desde a pandemia, crises geopolíticas desta natureza continuam a revelar fragilidades estruturais nas cadeias de abastecimento globais”.
Para muitas marcas, a atual situação reforça a necessidade de relações mais sólidas com fornecedores e maior atenção às dinâmicas locais nos países onde a produção está concentrada.

