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Conferência FAIST: a futuro da indústria portuguesa de calçado

Conferência FAIST: a futuro da indústria portuguesa de calçado

24 Nov, 2025

Welcome to the Industry of the Future


No âmbito da Agenda FAIST – Fábrica Ágil, Inteligente, Sustentável e Tecnológica, realizou-se nos passados dias 18 e 19 de novembro, uma conferência internacional, promovida pela APICCAPS e CTCP, dedicada ao futuro da indústria do calçado e às transformações que estão a moldar este setor estratégico para a economia portuguesa e europeia. O Palácio da Bolsa, no Porto, foi o cenário escolhido para representantes da indústria, do meio académico e de instituições públicas debaterem os principais desafios e oportunidades associados à digitalização, à sustentabilidade e à inovação tecnológica.

Sob o lema “Welcome to the Industry of the Future”, Luís Onofre, presidente da APICCAPS, no discurso de abertura, afirma que “com um investimento de mais de 50 milhões de euros nas áreas da robótica, automação e de sustentabilidade, no âmbito do plano do PRR”, o projeto FAIST tem o objetivo de tornar a indústria portuguesa de calçado “uma das mais modernas do mundo”. 

De facto, para o presidente “a concentração de 90% da produção de calçado na Ásia não é sustentável, nem do ponto de vista ambiental, nem social, nem económico”, tornando “o setor desigual, sobretudo ao ignorar o potencial que a Europa tem”. Luís Onofre não tem dúvidas: “a Europa não pode facilitar-se a um papel secundário. Pelo contrário, deve afirmar-se como a uma referência de qualidade, de inovação e responsabilidade pelo bem do nosso planeta”.

Sofia Moreira de Sousa, Representante da Comissão Europeia em Portugal, também enalteceu que “a indústria portuguesa de calçado é hoje um exemplo claro de como a antecipação estratégica e a capacidade da adaptação podem transformar desafios em vantagem competitiva” e que “a bússola para a competitividade aponta no sentido de reforçar cadeias de valor estratégicas, investir em inovação, acelerar a transição verde, atrair e qualificar talento e apoiar setores capazes de liderar pelo exemplo”.

Neste contexto, a Comissão Europeia lançou este ano o Pacto da Indústria Limpa, um compromisso político e económico para reforçar a competitividade industrial europeia, acelerar a transição verde e digital e garantir que a Europa continua a ser um espaço de inovação, de produção e tecnologia. Simultaneamente, a Comissão Europeia está a trabalhar na aprovação de quadro regulatório para as empresas mais simples, mais coerente e mais favorável à competitividade.
Para a representante, “a competitividade tem de assentar no Made in Europe” e é, nesse sentido, que “o calçado português prova que a inovação pode ser sustentável, que a tradição pode ser moderna e que a indústria pode ser simultaneamente humana, competitiva e global”, pelo que este “não é apenas um sucesso nacional, mas um verdadeiro exemplo europeu”. 

Na sessão de encerramento, Rosana Perán, presidente da Confederação Europeia de Calçado, destacou que “o calçado português, através do projeto FAIST, deu um passo gigante ao demonstrar que o progresso não implica abandonar a tradição, mas combinar o artesanato com a robótica, a automatização e a inteligência artificial para criar um novo valor”. Acrescenta ainda que “as empresas portuguesas demonstraram que a inovação, quando se baseia em habilidade, pode redefinir a competitividade”, uma vez que “a inteligência artificial deve ser usada de forma responsável ao manter o talento humano no centro”.

Rosana Perán acredita que para a UE alcançar “um quadro de competitividade e de crescimento é necessário garantir a igualdade de condições a nível mundial, limitar o acesso de plataformas online que vendam produtos que não estão de acordo com a normativa europeia, promover o consumo sustentável e promover junto dos mercados o valor acrescentado do calçado fabricado na UE (através do Passaporte Digital Europeu e do eco-design)”. 

De facto, a conferência pretendeu ser um ponto de encontro e de inspiração para todos os que acreditam que o futuro da indústria do calçado se constrói na conjugação entre tecnologia, talento e tradição. Desta forma, o programa incluiu sessões temáticas, painéis de debate e visitas técnicas a empresas de referência dos setores de calçado e componentes, proporcionando um espaço privilegiado de partilha de conhecimento, networking e contacto direto com soluções industriais inovadoras.

No âmbito do evento, realizou-se ainda um jantar oficial, no primeiro dia, com o propósito de celebrar os 50 anos da APICCAPS. Durante o jantar, foram homenageadas as instituições que mais contribuíram para o desenvolvimento sustentado do setor do calçado e dos artigos de pele em Portugal.


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