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ForEver promove parceria com The Shoe Surgeon na Lineapelle

ForEver promove parceria com The Shoe Surgeon na Lineapelle

28 Set, 2025

Palestas exclusivas com Dominic Ciambrone


A ForEver, empresa portuguesa do Grupo Procalçado, promoveu duas palestras exclusivas com Dominic Ciambrone na Lineapelle Fair, a principal feira internacional de couro e componentes para calçado, que decorreu de 23 e 24 de setembro.  Mais conhecido como The Shoe Surgeon (o cirurgião de sapatos, em português), Dominic Ciambrone é um dos nomes mais influentes do design mundial de calçado e iniciou a sua colaboração com a ForEver há oito anos.

Em ambas as sessões, moderadas por Emmanuel Ravier, Dominic Ciambrone partilhou a sua visão única sobre calçado, como construiu o seu ecossistema criativo no design, nos media e na educação e as colaborações que fez até à data com a ForEver. Houve ainda espaço para um momento criativo, onde Ciambrone guiou os participantes através de um exercício de libertação da imaginação e revelou novas formas de explorar a criatividade. Em declarações à APICCAPS, o artista reconhece que “não acredita que o design seja a parte mais importante do processo, mas sim a funcionalidade”. De facto, “o ser único é importante, tal como a forma como o produto ganha vida é essencial”, acrescenta.

Criada em 1973, a Procalçado é hoje uma empresa de referência no mercado internacional, na conceção, desenvolvimento e fabrico de componentes para calçado, através das marcas ForEver, WOCK e Lemon Jelly. A parceria com a The Shoe Surgeon surgiu há oito anos, quando foram convidados a interpretar o universo Pizza Hut numa sapatilha. João Ferraz, diretor criativo da ForEver, destaca “o enorme desafio que foi concretizar o projeto, nomeadamente, devido ao pouco tempo que tiveram para o realizar e tos o processo de produção da sola”.

Em declarações à APICCAPS, Dominic Ciambrone afirma que a parceria com a ForEver “tem sido fantástica” e destaca “o bom que é ter uma empresa que caminha ao seu lado”. Para o Cirurgião do Calçado “a sola é uma das partes mais importantes de um sapato, porque é ela que nos mantém com os pés assentes na terra e conectados”. Nesse sentido, a colaboração com a ForEver tem sido muito importante, nomeadamente “a dar vida a ideias que seriam impossíveis de concretizar” com qualquer outra empresa dos EUA, devido à escassez de fábricas e aos elevados custos de produção. 
Além do projeto da Pizza Hut, a ForEver e a The Shoe Surgeon colaboraram ainda com a Netflix, onde desenvolveram umas sapatilhas para um programa de desenhos animados (Midnight Gospel), com grandes marcas de bebidas alcoólicas, como a Glenn Morgie e a Jack Daniels, e ainda com a Can-Am, onde redesenharam as motos e personalizaram-nas em sapatilhas originais. A ForEver é ainda a responsável pelas solas da coleção de botas Ciambrone Santa Rosa, uma paixão de Ciambrone. 

Da emancipação à criação de um ecossistema criativo
Ao longo das duas conversas Dominic Ciambrone falou dos inícios do seu percurso e como tudo começou. Sempre gostou de se vestir bem e a escola, para ele, não era um lugar onde ia às aulas, mas sim um palco para mostrar a sua arte. Foi em 1986, no primeiro ano do secundário, que o seu primo lhe emprestou um modelo Air Jordan. Recorda-se que foi, nesse momento, que se conectou verdadeiramente com as pessoas e com ele mesmo. Uns dias depois decidiu pegar num aerógrafo e personalizar um par de sapatilhas totalmente brancos. E foi, assim, que aos 15 anos, depois de pintar os seus primeiros pares de sapatos, todos os seus amigos queriam que ele pintasse os deles. 

Aos 18 anos procurou aprender mais sobre sapatos e depois de lhe terem recusado ajuda para aprender o ofício, conseguiu emprego numa sapataria, onde começou a arranjar bolsas, mas depressa principiou a criar os seus primeiros modelos: colou solas de botas em Vans. Quando tinha 19 anos, ao regressar de uma viagem a Nova York criou a The Shoe Surgeon. Foi apenas com 23 anos que recebeu a oportunidade de criar uns sapatos para o programa de televisão Law and Order e, a partir daí, não demorou muito tempo a colaborar com grandes marcas de luxo, a calçar grandes celebridades e a criar as chuteiras de jogadores do Super Bowl. Este último é considerado pelo artista um dos momentos mias especiais da carreira. 

Ciambrone acredita que “cada um tem um processo criativo diferente, e para muitas pessoas não é linear”. Afirma: “Não sou um designer de esboços, não sou um designer tradicional, não aprendi numa escola, aprendi tudo a reparar sapatos. No meu estúdio, em Los Angeles, construí uma equipa incrível para me ajudar a concretizar a minha visão criativa, agora como diretor criativo e fundador.”

A Shoe Surgeon foi a plataforma que o ajudou a ganhar notoriedade, e é importante para o designer “cingir-se a construir um nome sustentável”. Mudar-se para Los Angeles sempre foi um sonho e este concretizou-se há dez anos, quando abriu o seu espaço que, além de atelier, tem um salão de basquetebol, um bar, uma cafetaria, espaços de criação e de formação. 

De facto, durante o seu processo criativo, o “Cirurgião” sentiu que estaria na altura de começar a ensinar. Começou a dar workshops e criou um curso intensivo, onde ensinou mais de 10 mil alunos. Para o próprio, passar o conhecimento é impulsionar a próxima geração de designer e inspira outros a criar arte. A APICCAPS, o designer partilhou que “a arte está em todos nós” e com este ecossistema criativo “pretende ajudar outras pessoas a encontrarem a criatividade dentro de si”.
Mas a arte nem sempre é acessível a todos e para Dominic as redes socias “quer se goste, que se odeie são uns bons canais de difusão da arte”. Defende que a maioria dos seus seguidores, mesmo não podendo comprar os seus sapatos, “o seguem para consumir arte”. Foi também esse o motivo que o levou ao ensino para que outros possam criar modelos acessíveis.

Quando confrontado sobre o facto de outros designers não se sentirem “inspirados a ensinarem devido ao controlo de acesso à arte”, Ciambrone confessa que ensinar o tornou mais humilde: “No primeiro curso, lembro-me de sentir que estava a dar algo que levei 20 anos a aprender, mesmo ao cobrar aos alunos. Não há dinheiro que nos possam dar que compense o conhecimento, os anos, o stress e os dias loucos de pânico a tentar descobrir o que se estava a fazer. Mas a verdade é que me sinto melhor ser humano e ajudou-me a ver o panorama geral da vida, em vez de apenas criar coisas giras e de ser o melhor nisso.”
Aos jovens designers, Dominic Ciambrone deixa uma última dica: “começar, correr atrás, procurar, não ter medo de errar, firmeza e questionar. Faz por ti, porque está ao alcance de todos.”





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