Conheça Carlos Teixeira, da Joseli
Carlos Teixeira é licenciado em Design Gráfico, mas o negócio familiar falou mais alto na hora de escolher o
caminho. É a segunda geração a assegurar o futuro da empresa Joseli.
Trabalhar na indústria de calçado foi uma escolha natural?Sim, foi algo que me foi incutido desde cedo. Os meus pais têm uma empresa de calçado, por isso cresci rodeado por esta realidade. Mesmo tendo interesse por outras áreas, como o Design Gráfico, onde me formei, sempre soube que, de uma forma ou de outra, acabaria por integrar o negócio da família.
Foi uma transição natural.
A minha formação académica é em Design Gráfico, uma área pela qual sempre tive um grande interesse desde muito novo. Com o tempo, senti a necessidade de complementar essa base criativa com onhecimentos mais técnicos e específicos, e, por isso, frequentei um curso de modelação de calçado.
Além disso, também fiz formação em línguas, algo que considero essencial para comunicar eficazmente no contexto internacional em que o setor do calçado opera.
Como definiria a sua marca/projeto e como se distingue no mercado?
Neste momento, o foco principal do projeto está direcionado para o mercado internacional. Apesar de termos as nossas marcas próprias, acredito que para trabalhar marcas próprias de forma consistente é necessário ter uma estrutura dedicada, com equipas focadas em áreas como desenvolvimento, marketing e comunicação o que, neste momento, não é o nosso objetivo, nem o nosso modelo de operação.
Acreditamos que o maior potencial está em colaborar com marcas internacionais, que já têm projetos incríveis e bem posicionados no mercado, e onde a nossa empresa pode realmente fazer a diferença. A nossa mais-valia está na capacidade de oferecer soluções de produção de qualidade, flexibilidade e um acompanhamento muito próximo do cliente, garantindo que conseguimos responder com precisão às exigências criativas e técnicas de cada projeto.
Quais têm sido os maiores desafios até agora?
Sem dúvida o maior desafio foi a vertente comercial. Foi uma área para a qual não tive qualquer formação ou preparação prévia, e há alguns anos tive de aprender tudo por minha iniciativa.
Os meus pais sempre trabalharam com agentes e, de um momento para o outro, eu fiquei encarregue desta área sem qualquer preparação…a pressão foi alta. Na altura, não existiam as ferramentas digitais que hoje facilitam imenso esse processo. Descobrir como abordar um cliente, como estabelecer um primeiro contacto e como apresentar um projeto de forma eficaz foi um percurso desafiante. Foi necessário muito esforço, tentativa e erro.
Felizmente, atualmente, com o acesso a plataformas especializadas e ferramentas como o LinkedIn ou bases de dados segmentadas, é possível obter rapidamente informações detalhadas sobre as empresas e os contactos certos — como, por exemplo, o responsável pelo departamento de desenvolvimento de calçado, o que torna esta parte do trabalho mais acessível e estratégica.
Que conselho daria a um jovem que está a começar na indústria?
O principal conselho que daria é: rodeiem-se de pessoas com experiência na indústria. Muito do conhecimento que adquiri ao longo do tempo não veio apenas de livros ou formações, mas sim de conversas informais com profissionais que estão no setor há muitos anos. Essas partilhas foram fundamentais para me ajudar a ver as coisas de diferentes perspetivas e, acima de tudo, a evoluir. A indústria do calçado é exigente, mas é também muito rica em conhecimento partilhado, é essencial estar atento, perguntar e aprender com quem já percorreu esse caminho