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Geração 5.0: João Marques, Marqsol

Geração 5.0: João Marques, Marqsol

27 Out, 2025

Conheça João Marques, da Marqsol


Com uma especialização tecnológica em Gestão, João Marques representa a segunda geração à frente da Marqsol, empresa de componentes para calçado.

Trabalhar na indústria foi uma escolha natural?
Entrar na indústria do calçado foi mais uma oportunidade do que uma decisão planeada. Estava em transição para a licenciatura em Gestão quando surgiu a hipótese de integrar este setor. Decidi suspender os estudos para agarrar uma oportunidade que dificilmente voltaria a aparecer — e foi, sem dúvida, a melhor escolha que fiz, pela experiência que ganhei desde então.

Ainda assim, reconheço que a falta de formação académica criou algumas barreiras, que me obrigaram a esforçar-me mais para adquirir os conhecimentos necessários e acompanhar a realidade da indústria atual.

Como defines a Marqsol e o que a distingue no mercado?

Tenho a certeza de que a Marqsol se destaca pela dinâmica interna. Todos os colaboradores compreendem a velocidade e a exigência que o mercado impõe atualmente, e essa energia foi incutida desde o início pelo nosso CEO, Paulo Marques, que continua a ser o grande impulsionador da empresa.
Quanto ao produto, trabalhamos em duas frentes: uma vertente private label, em que apresentamos novas coleções a cada temporada, e uma vertente de projetos exclusivos, desenvolvidos em parceria com marcas internacionais presentes em Portugal.

Quais têm sido os maiores desafios até agora?
A Marqsol nasceu em plena pandemia, e logo aí enfrentámos enormes obstáculos: desde a forte oscilação de preços, ao fenómeno das encomendas que, no pós-pandemia, chegaram a ultrapassar a capacidade de resposta de toda a indústria.

Acresce ainda o atual contexto internacional, marcado por conflitos e incerteza, que gera instabilidade e dificulta a projeção do futuro. Esse é, talvez, o maior desafio: gerir uma empresa sem conseguir antecipar cenários, quando as responsabilidades e custos fixos se mantêm independentemente do volume de trabalho.

Que conselho darias a um jovem que está a começar na indústria?
Deixaria dois conselhos. O primeiro: para quem tem ambição, em qualquer setor, oito horas de trabalho diárias não chegam para atingir patamares de excelência. Não se trata de viver para a empresa, mas de aproveitar os recursos que hoje temos à disposição — telemóveis, computadores, informação acessível — para ir sempre mais além.

O segundo: não se limitem a conhecer apenas o vosso setor. É essencial compreender todo o ecossistema — desde as marcas e retalhistas até às equipas de design. Quanto mais entendermos esse circuito, mais facilmente conseguimos alinhar com o que o mercado procura. A nossa indústria vive das decisões dos clientes, e só as compreendendo conseguimos estar preparados para responder.


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