Conheça João Marques, da Marqsol
Entrar na indústria do calçado foi mais uma oportunidade do que uma decisão planeada. Estava em transição para a licenciatura em Gestão quando surgiu a hipótese de integrar este setor. Decidi suspender os estudos para agarrar uma oportunidade que dificilmente voltaria a aparecer — e foi, sem dúvida, a melhor escolha que fiz, pela experiência que ganhei desde então.
Ainda assim, reconheço que a falta de formação académica criou algumas barreiras, que me obrigaram a esforçar-me mais para adquirir os conhecimentos necessários e acompanhar a realidade da indústria atual.
Como defines a Marqsol e o que a distingue no mercado?
Tenho a certeza de que a Marqsol se destaca pela dinâmica interna. Todos os colaboradores compreendem a velocidade e a exigência que o mercado impõe atualmente, e essa energia foi incutida desde o início pelo nosso CEO, Paulo Marques, que continua a ser o grande impulsionador da empresa.
Quanto ao produto, trabalhamos em duas frentes: uma vertente private label, em que apresentamos novas coleções a cada temporada, e uma vertente de projetos exclusivos, desenvolvidos em parceria com marcas internacionais presentes em Portugal.
Quais têm sido os maiores desafios até agora?
A Marqsol nasceu em plena pandemia, e logo aí enfrentámos enormes obstáculos: desde a forte oscilação de preços, ao fenómeno das encomendas que, no pós-pandemia, chegaram a ultrapassar a capacidade de resposta de toda a indústria.
Acresce ainda o atual contexto internacional, marcado por conflitos e incerteza, que gera instabilidade e dificulta a projeção do futuro. Esse é, talvez, o maior desafio: gerir uma empresa sem conseguir antecipar cenários, quando as responsabilidades e custos fixos se mantêm independentemente do volume de trabalho.
Que conselho darias a um jovem que está a começar na indústria?
Deixaria dois conselhos. O primeiro: para quem tem ambição, em qualquer setor, oito horas de trabalho diárias não chegam para atingir patamares de excelência. Não se trata de viver para a empresa, mas de aproveitar os recursos que hoje temos à disposição — telemóveis, computadores, informação acessível — para ir sempre mais além.
O segundo: não se limitem a conhecer apenas o vosso setor. É essencial compreender todo o ecossistema — desde as marcas e retalhistas até às equipas de design. Quanto mais entendermos esse circuito, mais facilmente conseguimos alinhar com o que o mercado procura. A nossa indústria vive das decisões dos clientes, e só as compreendendo conseguimos estar preparados para responder.

