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Geração 5.0: Tom Daniel, Rivonti

Geração 5.0: Tom Daniel, Rivonti

30 Jul, 2025

Conheça Tom Daniel, da Rivonti


A nacionalidade é holandesa, mas o coração já é português. Tom Daniel nasceu na Holanda, mas cedo veio para Portugal. Até ao secundário estudou no Alentejo, mais concretamente em Évora, em áreas sempre mais ligadas às ciências. Mais tarde, decidiu mudar-se para Lisboa, onde se licenciou em Gestão no ISEG. Cresceu com a criatividade como parceira, razão pela qual lançou recentemente a marca de marroquinaria Rivonti, onde pode explorar as técnicas do saber-fazer que apreendeu se forma autodidata. 

Como é que surgiu o interesse pela marroquinaria?
Sempre fui uma pessoa muito criativa, desde o desenho até à carpintaria, tinha sempre um projeto novo em mente. Eu queria criar algo que pudesse ser usado no dia-a-dia, e acabei por me deparar com a ideia de fazer uma mala de viagem através de um vídeo no YouTube. Comprei uma pele, todas as ferramentas necessárias e, cerca de um mês depois, tinha uma mala costurada à mão. Esse projeto transformou-se primeiro num hobby e, com o tempo, numa carreira. Desde então, já criei várias malas diferentes e não penso em parar.

Qual é o segredo de uma boa mala?
Sou um grande defensor da intemporalidade, tanto na durabilidade do produto como no seu design. Uma boa mala tem de dar vontade de ser usada ano após ano. A primeira que criei tem agora cinco anos e continuo a usá-la quase diariamente. Quando pensamos em modelos de sucesso como a Puzzle da Loewe, a Teckle da Alaïa ou a Birkin, a receita é clara: intemporalidade, originalidade, reconhecimento e coerência com a identidade da marca, ponto final.

Como definiria a sua marca/projeto e como se distingue no mercado?
Portugal tem imenso talento, história e savoir-faire na marroquinaria. Já produzimos para grandes marcas internacionais, está na altura de colocarmos uma nossa no mapa. Quero criar um produto que se destaque pelo design e pela sua “arquitetura”. Muitos dizem que “já foi tudo feito”, mas eu discordo completamente. Há ainda um mundo de ideias por explorar, e é isso que me move.

Quais têm sido os maiores desafios até agora?
Decidi entrar num setor onde, no início, o meu conhecimento era praticamente nulo. Os primeiros desafios estavam todos ligados à produção: quais são os reforços certos? Que ferramentas usar? E muitas outras dúvidas técnicas. Hoje os desafios são outros, muito mais ligados ao posicionamento da marca, ao marketing e ao branding. Sou extremamente perfecionista, quero levar as minhas capacidades ao limite, e isso traz naturalmente muitos desafios. Mas nada que não se resolva.

Que conselho daria a um jovem que está a começar na indústria?
Vejo dois perfis: os jovens que fundam novas marcas e os que se juntam a marcas já existentes. Para quem entra numa marca, o melhor é explorar diferentes funções até encontrar onde se encaixa melhor. Para os que querem criar uma marca, foco e planeamento prévio são tudo. Uma marca só funciona quando há uma reflexão pessoal do fundador no produto final. Convido todos os futuros fundadores a responderem a duas perguntas  “Será que tenho mesmo perfil para isto?” e “Consigo acrescentar algo de valor real ao mercado?” Criar uma marca é possível, mas exige pensamento crítico, persistência e muita clareza de visão.


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