O calçado nacional voltou a estar em destaque na MICAM, a maior feira de calçado do mundo. A delegação portuguesa contou com 39 empresas.
O setor português do calçado está a intensificar, desde o início do ano, a sua aposta na internacionalização, com a concretização de 11 iniciativas de promoção externa em apenas dois meses, numa iniciativa da APICCAPS em parceria com a AICEP, e o apoio do programa Compete 2030. No mesmo período do ano passado, o setor participou em apenas sete iniciativas no exterior. “Em apenas dois meses, praticamente 100 empresas portuguesas integram ações em mercados internacionais, confirmando o dinamismo e a ambição exportadora do sector”, destaca Luís Onofre.
Ao longo destas iniciativas, as empresas nacionais marcam presença em oito mercados estratégicos Alemanha, Colômbia Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Itália e Reino Unido, reforçando o posicionamento do calçado português junto de clientes, distribuidores e parceiros internacionais.
Para o Presidente da APICCAPS, este esforço coletivo assume particular relevância no atual contexto económico internacional. “As empresas portuguesas de calçado estão a fazer um esforço notável para procurar novos mercados e consolidar os existentes, num momento conjuntural especialmente complexo. A internacionalização continua a ser um eixo central da competitividade do sector.”
O responsável sublinha ainda que esta estratégia reflete a capacidade de adaptação das empresas nacionais. “Mesmo num cenário marcado por incerteza, inflação e retração do consumo em alguns mercados, o sector mantém uma atitude proativa, investindo na promoção externa, na inovação e no reforço das relações comerciais internacionais.” Em fevereiro merece particular destaque a ‘invasão’ portuguesa a Milão, em Itália, com praticamente 80 empresas a integrarem a MICAM (39) e a Lineapelle (29).
“A APICCAPS considera que a forte adesão das empresas às ações internacionais demonstra a confiança no valor do produto nacional e na diferenciação do calçado português, reconhecido pela qualidade, design e sustentabilidade”, destaca Luís Onofre. Atualmente, o cluster do setor do calçado e artigos de pele exporta mais de 90% da sua produção para 174 países, nos cinco continentes em valores próximos dos 2 100 milhões de euros anuais.
Secretário de Estado da Economia destaca inovação na indústria
O Secretário de Estado da Economia visitou a delegação portuguesa em Milão. João Rui Ferreira destaca que uma mudança no posicionamento das empresas. “Esta mudança significativa, que tenho vindo a observar ao longo das várias edições da MICAM, é claramente visível na forma como as marcas são valorizadas e como as empresas se posicionam na cadeia de valor. Verifica-se um foco crescente em marcas de private label com maior valor acrescentado, enquanto aquelas que detêm marcas próprias se posicionam através de plataformas de e-commerce, distribuidores e retalhistas mais especializados”.
O responsável pela pasta da economia destacou ainda a aposta na inovação e na sustentabilidade. “A inovação está a atravessar todo o setor. Portugal posiciona-se como tendo a capacidade de fazer melhor e de forma diferente face a outras regiões, com a tecnologia e projetos como o FAIST a demonstrarem isso de forma eficaz. Isso é evidente não apenas do ponto de vista tecnológico, mas também ao nível da execução. Além disso, destaco a sustentabilidade, com foco em todos os aspetos desta visão para o produto”
MICAM encerra com resultados sólidos
A MICAM, a maior e mais relevante feira internacional do setor do calçado, que decorreu de 22 a 24 de fevereiro em paralelo com a 129ª edição da MIPEL, encerrou com resultados sólidos. No total, foram mais de 20 mil os visitantes que marcaram presença no centro de exposições Fieramilano Rho para a sua 101ª edição.
Os mais de 20 mil visitantes (54% estrangeiros e 46% italianos) vieram de vários países, com a maior participação vinda de França, Espanha, Alemanha, Bélgica, Grécia, Japão e Estados Unidos.
Giovanna Ceolini, Presidente da MICAM e da Assocalzaturifici, acredita que a feira continua a ser o polo internacional para a indústria do calçado e um motor do comércio externo e das relações comerciais estratégicas: “Os números confirmam a solidez da feira, mas o que realmente nos orgulha é a qualidade das relações aqui construídas, a intensidade do diálogo entre empresas, compradores e profissionais de todo o mundo. A MICAM não é apenas uma feira comercial, é uma plataforma dinâmica para negócios e visão estratégica.”
Apesar de um cenário económico complexo, tanto a nível nacional como internacional, agravado pela instabilidade geopolítica atual, o evento recebeu 795 marcas, incluindo 402 empresas internacionais e 393 italianas, confirmando o seu forte apelo global e o papel central da MICAM no apoio ao desenvolvimento de negócios e à internacionalização do setor. Este ano a delegação portuguesa contou com 39 empresas.
Giovanna Ceolini não tem dúvidas que esta edição da MICAM enviou “um sinal claro e encorajador”, considerando que “a indústria do calçado é capaz de responder de forma inteligente aos desafios do mercado global, transformando a complexidade em oportunidades de crescimento e inovação”.
As próximas edições da MICAM e da MIPEL regressam à Fieramilano Rho de 13 a 15 de setembro de 2026.
MATA apresenta pela primeira vez coleção para o segmento feminino
Na última edição da MICAM, a MATA apresentou duas coleções distintas, desenvolvidas a partir de bases e materiais específicos: a continuidade da coleção M-Dv, para homem, e a estreia absoluta da coleção WD, para mulher. Ambas partilham uma visão comum, na qual a proteção contra os elementos é incorporada no design do calçado sem comprometer a estética.
Na maior feira de calçado do mundo, a empresa apresentou uma coleção com um forte enfoque na impermeabilidade, integrando a membrana MATA TEX, aplicada entre a pele e o forro. Esta solução técnica cria uma barreira eficaz contra a humidade, assegurando simultaneamente respirabilidade e conforto térmico, características essenciais para os dias frios e chuvosos do inverno. A impermeabilidade deixa, assim, de ser um elemento visível ou meramente funcional, passando a integrar a identidade do produto de forma discreta e sofisticada.
A coleção Outono/Inverno 2026 da MATA resulta da conjugação entre décadas de experiência e uma abordagem técnica orientada para a performance em contexto urbano e invernal. O conforto, a funcionalidade e a impermeabilidade assumem um papel central, aliados à elevada qualidade das peles, à precisão construtiva e a um design contemporâneo e intemporal. Segundo Rui Oliveira, Managing Director, estas duas coleções traduzem solicitações e desenvolvimentos que a empresa foi fazendo ao longo de muitos anos, aliando aspetos técnicos a elementos de design numa única conceção do produto, de forma a satisfazer de forma integral as necessidades dos clientes.
A inovação estende-se à palmilha de montagem sem enfuste metálico, forrada com espuma memory, que preserva a estrutura do sapato enquanto eleva a experiência de uso. O plantar amovível em espuma memory, combinada com um estabilizador de calcanhar, assegura um ajuste preciso e personalizado, reforçando o conforto prolongado.
Completam a proposta os acabamentos naturais e manuais, que conferem carácter e singularidade a cada modelo, refletindo o equilíbrio entre técnica, estética e durabilidade.
Com a coleção AW26, a MATA redefine o conceito de calçado impermeável de inverno, apostando em soluções técnicas avançadas integradas de forma elegante, pensadas para acompanhar o ritmo do dia a dia sem abdicar da excelência.

