Nova edição da revista Portuguese Soul
Há quinze anos, a Portuguese Soul surgiu do desejo de contar histórias de talento, visão e coragem, cruzando moda, design, arte e indústria. Um projeto construído sobre a convicção de que a alma portuguesa tem uma força única, feita de autenticidade, sensibilidade e uma criatividade sem fronteiras.
Quinze anos depois, esse desejo mantém-se intacto. Continuamos a acreditar no valor do que é feito em Portugal e na importância de lhe dar voz, contexto e projeção. Desde a primeira edição, quisemos ser mais do que uma revista. Ambicionámos ser uma plataforma de expressão — um espaço onde o calçado português se encontra com a moda, onde o saber-fazer dialoga com a arte contemporânea e onde tradição e inovação caminham lado a lado. A Portuguese Soul nasceu da indústria do calçado, mas rapidamente se tornou o reflexo de um país que cria, produz e inspira.
Celebrar quinze anos é, acima de tudo, um gesto de gratidão. Gratidão aos criadores, fotógrafos, artistas, designers e industriais que, com talento e dedicação, ajudaram a construir este percurso. Gratidão a todos os que acreditaram que Portugal podia ter uma voz própria no universo da moda e da cultura. Gratidão a quem, edição após edição, reforçou a ideia de que o futuro se constrói com identidade e orgulho.
Esta edição é, por isso, simultaneamente uma celebração e um momento de reflexão. Um convite a reafirmar o nosso compromisso num tempo em que, mais do que nunca, importa valorizar o que é nosso. Olhar para a arte, a música, o cinema, o design e o calçado não apenas como expressões estéticas, mas como afirmações de identidade cultural.
Assim nasce THE ART ISSUE, uma edição que reúne nomes incontornáveis da cultura portuguesa. Abrimos com Miguel Guilherme, ator icónico que, pelas mãos de Ricardo Santos e Joel Alves, se revela tal como é. Do teatro ao cinema, da televisão aos podcasts, Miguel Guilherme percorreu praticamente todas as linguagens da interpretação, afirmando-se como uma presença transversal e incontornável da cena cultural portuguesa.
Na música, através do olhar de Frederico Martins e Teresa Abrunhosa, descobrimos uma nova faceta de David Fonseca em Racing Light. E porque em equipa que ganha não se mexe, os mesmos assinam também o retrato de Gisela João, nome maior do fado contemporâneo, cuja intensidade artística continua a marcar gerações.
Ainda no universo cultural, Edgar Morais, um dos rostos mais relevantes da nova geração de atores, surge numa interpretação do “fazer de conta”, assinada por Pedro Afonso e Fernando Bastos Pereira — um exercício onde a representação se cruza com a reflexão sobre a própria arte de interpretar.
Nesta edição, regressamos ao ponto de partida: Portugal tem uma herança que inspira e um presente que se reinventa todos os dias. É isso que a Portuguese Soul existe para mostrar. Em Memória, exploram-se as ruas icónicas de Óbidos, onde a beleza dos trajes portugueses se cruza com a moda de autor, num trabalho captado por Frederico Martins, com styling de Joyce Doret. Ainda sobre estética e identidade, LIDE propõe uma reflexão sobre a arte feita tecido, numa produção de Frederico Martins e Sérgio Onze.
Num número que celebra a arte em múltiplas expressões, Pedro Afonso e Fernando Bastos Pereira apresentam The Art of Colour e The Art of Love, dois projetos que exploram, respetivamente, a importância da cor e a centralidade do amor nas nossas vidas.
Já The Canvas of Time, de Ana Caracol e Pedro Ferreira, propõe uma reflexão sensível sobre a relação entre arte e tempo e o impacto dessa ligação nos objetos que nos acompanham. No mesmo universo, Long Live the King, de Ricardo Santos e Joel Alves, mergulha no sonho de um rei e na forma como a arte foi fundamental ao longo dos reinados — não apenas como expressão estética, mas como instrumento de memória e perpetuação do poder.
Acreditamos que a cultura portuguesa é o nosso maior luxo. Um luxo que não se mede pela exclusividade, mas pelo significado. Está nas mãos de um artesão, no olhar de um fotógrafo, na ideia de um jovem criador. Está em tudo o que é feito com alma — e é precisamente essa alma que queremos continuar a partilhar com o mundo.
Quinze anos depois, o desafio mantém-se: continuar a contar histórias que honrem quem somos e projetem quem queremos ser. Com a mesma curiosidade, a mesma paixão e a mesma confiança no talento português. Porque, se há algo que aprendemos ao longo deste caminho, é que a Portuguese Soul não é apenas uma revista. É, e será sempre, um estado de espírito.

