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Novos Modelos de Negócios baseados em Tecnologia e IA

Novos Modelos de Negócios baseados em Tecnologia e IA

25 Nov, 2025

Painel "Novos Modelos de Negócio"


O painel “Novos Modelos de Negócios”, com moderação de Gonçalo Garcia, da APICCAPS, pretendeu perceber de que forma os modelos de negócios têm de ser moldados e adaptados à realidade atual. O debate contou com a participação de Fernando Ferro, da CCSI Pro, Flávio Ferreira, da Bolflex/Rubberlink, João Esteves, da Diverge, e Rui Moreira, do CTCP. 

Um modelo de negócios é a forma como a empresa cria e desenvolve a sua proposta de valor, como se apresenta no mercado e como chega aos clientes. Independentemente desse modelo de negócio ser suportável num business to business, business to consumer ou até num modelo híbrido, é importante que as empresas pensem como se querem diferenciar no mercado. 

No fundo, para Rui Moreira, responsável do departamento de organização e gestão de empresas do CTCP, o desenvolvimento do modelo de negócio do setor de calçado passa por fatores diferenciadores que não o preço, embora o preço continue a ser relevante: “No fundo é perceber qual é o nosso ADN, o que nos diferencia dos outros, qual é o nosso público-alvo, como chegamos a ele e o que é que nós temos que desenvolver internamente para que o público-alvo reconheça em nós aquele fato diferenciador”.

Na Diverge, por exemplo, implementaram um modelo de negócios que não produz para stock, descartando, assim, o velho paradigma da produção em massa. Isto requereu pensar num negócio de uma maneira completamente diferente. Nesse sentido criaram a marca e desenvolveram a tecnologia que permitisse a customização, mostrando que é possível ter produtividade ao fazer pequenos lotes ou ‘par a par’ de uma forma eficiente. 

A empresa  junta, assim, tecnologia, indústria tradicional e um modelo mais eficiente e mais responsável. Para João Esteves o grande desafio foi “perceber a melhor maneira de levar a cabo uma produção deste tipo de duas a três semanas, porque muito mais do que isso começa a ser complicado de gerir nesta era do imediatismo”. 

Flávio Ferreira, da Bolflex/Rubberlink, também afirma que “a procura por produtos personalizados tem aumentado e que, esse facto, está muito relacionado com as marcas que querem cada vez mais se distinguirem umas das outras, portanto passamos de uma personalização mais estética para algo bem mais profundo”. Com uma estrutura verticalizada e com uma forte componente de circularidade e de automação têm sido capazes de dar seguimento aos pedidos de personalização dos produtos de uma forma “fácil”, uma vez que não dependem de terceiros. Flávio aconselha que “todos os empresários que ainda não começaram a digitalização que comecem, porque efetivamente existem melhorias significativas com a recolha de informação”.

João Esteves destaca ainda a importância da tecnologia nas várias fases do processo, como no primeiro contacto com o cliente e na organização das fichas de encomendas antes de chegaram aos parceiros para otimizar os processos de trabalho. Desta forma, conseguem “usar a tecnologia para tentar criar estes modelos de negócio um pouco disruptivos”. Já para Fernando Ferro “para otimizar o uso das diferentes tecnologias é necessário dominar todo o processo dentro de portas e haver uma forte colaboração entre equipas das diferentes áreas”. 

Para Flávio, “este foi o ano de melhor eficiência produtiva desde que há registo na Bolflex, e em grande parte deve-se à digitalização que tem sido implementada”. Estão ainda a limar algumas arestas, nomeadamente no tratamento dos dados recolhidos no chão de fábrica através da incorporação da IA. Fernando Ferro vai mais longe e partilha que “com a inteligência artificial e com a integração destas novas tecnologias resolvemos um problema de dependência humana nas áreas da informação”. 

João Esteves acredita que a IA tem sido um catalisador e um facilitador de processos para uma empresa que não tem todos os recursos que gostaria de ter, enumerando três exemplos: “neste momento somos autossuficientes na programação do nosso site. Na área da comunicação, temos estado a utilizar alguns softwares para criar conteúdo. E a terceira, passa por criar um agente que aconselhe os nossos clientes porque é muito bonito falar de customização e de personalização, mas com ela vem sempre atrelado o que se pode definir como a paralisia da decisão”. 


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