Projeto METASKILLS
A Estratégia de Competências para o Setor Têxtil, Vestuário, Couro e Calçado (TCLF) da União Europeia apresenta uma visão renovada e atualizada. Desenvolvida no âmbito do projeto AEQUALIS4TCLF, o documento baseia-se no Plano de Competências Skills4Smart e nos compromissos do Pacto para as Competências do TCLF.
Não é novidade que os setores europeus do têxtil, vestuário, couro e calçado estão a entrar num período de profunda transformação, impulsionado, nomeadamente, pelo crescente uso de tecnologias digitais, pela transição para modelos de economia circular, pela evolução das estruturas empresariais e pelas novas expectativas dos consumidores. De facto, as transições para o digital e verde estão a acelerar e a remodelar a natureza do trabalho, da produção e das competências, conduzindo a novos desafios e oportunidades.
Com base neste quadro, a Estratégia fornece uma estrutura coerente (um roteiro para a implementação e monitorização) de forma a garantir que os 1,5 milhões de trabalhadores do cluster e as mais de 220.000 empresas do TCLF possam adaptar-se, inovar e prosperar num panorama industrial em transformação. O documento é, assim, um apelo para que “a indústria, os decisores políticos, os educadores e as regiões trabalhem em conjunto para garantir que as pessoas têm as competências certas, nos locais certos e no momento certo”, assegurando um futuro promissor e sustentável para o cluster.
A Estratégia de Competências da UE para o TCLF proporciona, desta forma, um enquadramento para reforçar a inteligência nas competências, modernizar a educação e a formação, promovendo o compromisso em consolidar e atualizar competências para apoiar as empresas na transição digital e verde. Estabelece ainda ações prioritárias para 2030, assentes no Pacto Ecológico Europeu, na Estratégia Digital e no Pilar Europeu dos Direitos Sociais, e ainda em conformidade com o Pacto para as Competências e a futura União das Competências.
O documento posiciona “as competências como a base da competitividade, sustentabilidade e justiça social na transição industrial da Europa”. Visa desenvolver uma força de trabalho que combine competência tecnológica, consciência ambiental e criatividade, “garantindo que o ecossistema TCLF da Europa continue a ser uma referência global em qualidade, inovação e produção responsável”. Em 2027 será feita uma revisão formal para avaliar o progresso, ajustar as prioridades e garantir que a Estratégia continua a responder aos desafios e oportunidades emergentes do cluster.
Uma estrutura coerente para uma ação coletiva eficazA Estratégia deixa claro que as competências não são uma preocupação secundária, mas sim “a base da resiliência, da competitividade e da sustentabilidade”. Desta forma, o documento define três pilares interligados assentes em sete prioridades estratégicas para o estabelecimento de um quadro coerente.
O primeiro pilar refere-se ao desenvolvimento de competências relevantes através de sistemas de formação modernos e flexíveis. A educação e a aprendizagem ao longo da vida devem responder às mudanças tecnológicas, ambientais e demográficas, integrando competências verdes, digitais e transversais.
O segundo passa pela utilização das competências de forma eficaz para garantir que o talento é reconhecido, valorizado e implementado nos locais de trabalho. As empresas, em particular as PME, necessitam de apoio para criar ambientes favoráveis à aprendizagem, melhorar a correspondência entre vagas, reforçar a progressão na carreira e reter trabalhadores experientes.
O terceiro e último pilar refere-se ao reforço da governação das competências que exige parcerias, evidência e investimento sustentável. A ação coordenada através da Aliança de Competências do TCLF e das parcerias regionais de competências será essencial para ligar as partes interessadas, alinhar as fontes de financiamento e monitorizar o progresso.
Desta forma, a formação moderna, a utilização eficaz das competências nos locais de trabalho e uma governação forte constituem, em conjunto, a base de um ecossistema resiliente, inovador e competitivo. O progresso em cada área contribuirá para um objetivo coletivo para 2030: “uma indústria europeia de TCLF mais verde, digital e inclusiva, que crie empregos de qualidade, fortaleça as economias regionais e contribua para uma Europa competitiva, com impacto neutro no clima e socialmente justa”.
Uma parceria que já apresenta resultados: implementação de medidas e os apoios às PMEAs pequenas empresas continuam a ser a espinha dorsal das indústrias do TCLF na Europa, mas muitas têm dificuldade em dedicar tempo, dinheiro e pessoal à formação. Nesse sentido, a estratégia prevê centros de formação partilhados, um acesso mais simplificado ao apoio público, plataformas de aprendizagem digital adaptadas às realidades das PME e soluções que reduzam os custos e a carga administrativa. O objetivo é possibilitar uma qualificação profissional de elevada qualidade para as microempresas e ajudá-las a reter trabalhadores experientes, enquanto atraem novos talentos.
Além disso, a atividade do TCLF centra-se em clusters regionais onde coexistem centros de formação, polos tecnológicos e redes de fornecedores, pelo que a estratégia apoia investimentos direcionados para modernizar as instalações, reforçar a cooperação inter-regional e colmatar lacunas onde a formação diminuiu ou se afastou dos perfis da indústria local.
A Parceria de Competências do TCLF, no âmbito do Pacto para as Competências, demonstrou, de facto, a capacidade de mobilização do setor. Dados de inquéritos recentes indicam a presença de 178.194 participantes em ações de formação, o desenvolvimento ou atualização de mais de 3 mil programas e a mobilização de mais de 300 milhões de euros para a requalificação e a qualificação profissional entre os parceiros, esforços que proporcionam uma base sólida para a expansão até 2030.
O documento esclarece ainda que não serão criados fundos, mas explica como combinar instrumentos existentes, como o FSE+, o Erasmus+, o FEDER, o Europa Digital, o Mecanismo de Recuperação e Resiliência e o InvestEU, e como reforçar a coordenação para que os fundos acertem nas ações certas e nos momentos certos.