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2020 foi o ano da Farfetch. E 2021 também poderá ser

2020 foi o ano da Farfetch. E 2021 também poderá ser

3 Mar, 2021

Por José Sousa

As contas são simples de se fazer: se na semana em que Portugal registou a primeira vítima mortal por Covid-19 (a 16 de março), alguém tivesse investido 100 mil euros em ações da Farfetch, teria neste momento um património avaliado em 795 mil euros (reportando ao primeiro dia do mês de março). Os valores de referência são os 7,27 dólares por ação em 20 de março de 2020 e s 65,10 dólares registados na cotação de 1 de março passado. O grupo de venda online de moda de luxo fundado por José Neves continuou a proceder a investimentos massiços no seu negócios – e com isso a gerar prejuízos que resultaram, no final de 2020, em perdas de cerca de 3,3 milhões de dólares – e com isso, e pela primeira vez, conseguiu convcencer ois investidores que o negócio proposto pela Farfetch em outros parâmetros que não os tradicionalmente imediatistas, tão ao gosto das assembleias de acionistas.
Os gestores de topo do grupo multiplicaram-se em entrevistas e comunicados em que chamavam a atenção para o facto de a Farfetch estar num negócio de investimento intensivo e que, por isso, os prejuízos não eram o item mais favorável para avaliar o desempenho do grupo. Tanto José Neves (CEO) como Elliot Jordan (CFO) e Luís Teixeira (COO) têm-se preocupado em, de alguma forma, explicar aos investidores, e ao público em geral, qual é o segredo que está por trás do negócio da Farfetch.
Para os analistas tradicionais, a Farfetch também está prestes a ‘dar a volta’: no último trimestre de 2020, conseguiu registar pela primeira vez um EBITDA ajustado positivo. Ou, dito de outra forma, o negócio mantido pelo grupo em outubro, novembro e desembro passados gerou lucros – quando descontados juros, impostos, depreciações e amortizações – de cerca de 10 milhões de dólares, que comparam com os 18 milhões negativos do mesmo período de 2019.
O negócio da Farfetch passou por um poderoso desenvolvimento ao lingo de 2020, quando ficou claro que as vendas online iriam disparar, como forma de resposta dos consumidores às novíssimas e tão estranhas obrigações do confinamento. Por maioria de razão, o negócio online de luxo cresceu mais que os restantes segmentos – o que é facilmente compreensível – com as compras geradas a partir dos clientes chineses a baterem todas as expectativas.
Mas, aparentemente, há um antes e um depois na ‘descolagem’ da Farfetch: em novembro do ano passado, foi conhecido que o grupo chinês de comércio eletrónico Alibaba e a suíça Richemont investiriam 300 milhões de dólares cada uma na da compra de obrigações convertíveis da empresa, a que se juntaria a Artemis, com um reforço de investimento de 50 milhões. Um comunicado da época, Farfetch, Alibaba Group e Richemont anunciavam a formação de uma parceria global para acelerar a digitalização da indústria de luxo.
A Alibaba e a Richemont também anunciavam um investimento de 500 milhões de dólares (250 milhões cada) na Farfetch China, tendo uma participação combinada de 25% numa nova joint venture que incluirá as operações de mercado da Farfetch no antigo Império do Meio.
José Neves dizia na altura que “este anúncio é um grande passo na nossa missão de conectar os curadores, criadores e consumidores da indústria da moda de luxo. O investimento de 1,15 mil milhões de dólares na Farfetch do Alibaba Group, da Richemont e do Artemis é uma forte valorização da nossa posição como plataforma global de luxo”.
Finalmente, deu-se o ato mais recente desta parceria: a Farfetch acaba de anunciar o lançamento da loja digital Farfetch Tmall Luxury Pavilion, que expande significativamente a seleção de produtos de luxo no Tmall, do grupo Alibaba. Com este lançamento, os 779 milhões de consumidores da Alibaba passam a ter acesso a produtos de mais de 3.500 das melhores marcas de luxo do mundo, sendo que 90% destas marcas estão presentes no Tmall pela primeira vez.
A nova loja ocupa uma posição de destaque na página inicial do Tmall Luxury Pavilion, presente num dos cinco botões de navegação principais e com um banner permanente, oferecendo aos consumidores inspiração de moda e a mais ampla seleção de luxo de mais de 50 países de todo o mundo. Entretanto, o objetivo de breakeven mantém-se para 2021 – objetivo esse claramente alavancado pelo IBITDA ajustado conseguido no quatro trimestre do ano passado. Se isso for conseguido, 2021 também será um ‘ano Farfetch’.

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