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Diário de um confinamento: Pedro Alves

Diário de um confinamento: Pedro Alves

28 Jan, 2021

Pedro Alves, Cool Gray






Aponta o segundo semestre como altura em que se vão começar a sentir os primeiros sinais de recuperação. Neste Diário de um Confinamento, conheça Pedro Alves, responsável pela Cool Gray.

No ano que findou, as empresas foram testadas ao limite. Que soluções encontrou para minimizar os efeitos da pandemia?
O grande efeito da pandemia foi uma diminuição muito significativa do volume de atividade, no nosso caso concreto, à volta de 50%. No nosso setor, com margens relativamente baixas, essa nova realidade teve e tem implicações diretas e imediatas na rentabilidade das empresas. Sendo a Cool Gray uma empresa financeiramente sólida, a primeira e obvia solução encontrada foi o consumo de recursos próprios. A um segundo nível, foi ajustado, na medida do possível (via lay-off), o excesso de capacidade instalada. A um terceiro nível o recurso a linhas de crédito disponíveis, tentando garantir com o mínimo de sobressaltos possível, o tempo necessário para que a nossa atividade recupere para valores que suportem a estrutura (sobretudo) humana da empresa.

Que avaliação faz às medidas apresentadas pelo Governo?
Face ao enorme impacto da pandemia, as medidas disponíveis (o lay-off e os créditos via sistema bancário) têm demasiadas limitações e regras inerentes ao seu uso. A opção política de defender os postos de trabalho esquece que não existem empregos sem empresas. Se as empresas não sobreviverem a este “Annus horribilis”, não serão 5 nem 10% dos postos de trabalho que estarão em causa, serão 100%, com enormes custos humanos e sociais.

O Governo deve muito rapidamente flexibilizar e aprofundar as medidas à disposição das empresas. Não se trata de “atirar dinheiro para os problemas” mas antes centrar nas empresas as suas politicas de reconstrução económica, sob pena de, à saída desta crise, o tecido empresarial estar destruído ou, no melhor cenário, dramaticamente fragilizado.

Que expectativas tem para o ano de 2021?
É fundamental que se comecem a sentir sinais positivos por parte dos principais mercados onde operamos. Na nossa empresa estamos a trabalhar com um cenário que aponta para um segundo semestre de recuperação sólida.

O que tem a indústria portuguesa para oferecer aos seus clientes?
As razões do sucesso da indústria portuguesa mantêm-se válidas e, até ver, operacionais: a nossa enorme flexibilidade produtiva, um nível de apetrechamento técnico e tecnológico que compara muito bem mundialmente, a proximidade logística aos principais mercados mundiais consumidores de produtos de valor acrescentado, uma grande fiabilidade enquanto parceiros de negócio dos nossos clientes, a qualidade enorme dos nossos RH que nos permitem gerir com níveis de excelência os projetos em que estamos envolvidos… Em suma: o serviço ao cliente, 360º!

Este ano, o nosso país começa a beneficiar de um pacote extraordinário de medidas de apoio, a famosa «bazuca europeia». Que expectativas tem relativamente a esse pacote de medidas?
Temo que a “bazuca” chegue demasiado tarde. As empresas do nosso setor têm, na sua generalidade, um grave problema de curto prazo e é nesse horizonte que o nosso futuro se joga enquanto indústria. Como dizia Keynes, “A longo prazo estamos todos mortos”. Em sentido figurado, é muito este o cenário que se nos coloca.

Se do ponto de vista do negócio, o ano de 2020 foi particularmente difícil, o que mudou na sua vida pessoal nestes últimos meses?
Lidar todos os dias com a incerteza e ainda assim ter que encontrar respostas e rumos em mares revoltos. Este é “o desafio” de uma vida profissional. Sem comparação, o mais difícil da minha carreira de 20 anos no calçado. Nada nos preparou para isto…


Saudade foi a palavra eleita pelos portugueses para resumir o ano der 2020. De que sente mais saudades?
Da previsibilidade dos negócios. Hoje em dia é muito difícil (eu diria mesmo impossível) fazer previsões e planos. Conseguir encontrar a famosa luz ao fundo do túnel e ter a certeza que não é um comboio a vir na nossa direção…


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