Bernardo Nunes, 3DCork
Considera que o pior já passou?
Sim. A partir de meados de maio de 2020 foram desbloqueados carregamentos para alguns mercados externos e começamos a receber algumas novas encomendas. Em setembro retomamos a laboração com algumas linhas, de novo em três turnos. Fechamos 2020 com uma faturação ligeiramente acima da de 2019, o que foi excelente
Será 2022 um ano de afirmação do calçado português no exterior?
O calçado português tem vindo cada vez mais afirmar-se como uma referência de qualidade e a ganhar um espaço de grande notoriedade e credibilidade. Nesse sentido, temos todas as condições para sairmos vencedores destes novos desafios
Quais são as principais dificuldades que sente nesta altura?
Instabilidade de preços de matérias primas e imprevisibilidade do aumento dos custos de transporte e energia . A falta de mão-de-obra e a instabilidade provocada pelo confinamento de pessoas infetadas também tem sido difícil de ser gerido.
Passada esta “tormenta”, o que ficou? Antevê alterações ao nível do perfil do consumo ou mesmo da estratégia de subcontratação das grandes marcas internacionais que favoreçam, por exemplo, uma relação de maior de proximidade?
Eu penso que nada vai ser como dantes, mas as sociedades e a economia tendem sempre a restabelecer novos equilíbrios. O estar atento e ser capaz de nos adaptarmos a estas mudanças é um desafio gigante, mas necessário.
A sustentabilidade veio para ficar ou é, na sua opinião, uma moda passageira?
É inquestionável a necessidade de termos cada vez mais produtos sustentáveis. A 3DCork, como fabricante de componentes de cortiça para o calçado, trabalha uma matéria prima ímpar, 100% natural, um forte contribuinte para a redução da pegada de carbono e totalmente alinhada na promoção de uma economia circular.
O que tem a indústria portuguesa para oferecer nos mercados externos?
Inovação, design, flexibilidade, know-how acumulado de grande qualidade, capacidade logística e grande credibilidade dos seus trabalhadores.
Foto de João Saramago