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E agora? Que futuro depois da pandemia?

E agora? Que futuro depois da pandemia?

2 Apr, 2020

Numa época de profundas alterações no universo internacional da moda, onde emergem novos modelos de negócios, uma nova geração de consumidores e novas tipologias de produtos, como se avizinha o futuro? Que caminho devem as empresas trilhar para responder aos desafios que lhes são impostos? Quem são os novos clientes? De que forma se comportam? O que procuram? Estes foram os pontos de partida para a discussão “O Futuro da Moda”, o fórum que a APICCAPS organizou há poucos meses no Terminal de Cruzeiros de Leixões.

Na altura, Geraldine Wharry, especialista em tendências que tem no seu curriculum colaborações com marcas internacionais de primeira linha como Dior, Samsung ou Victoria´s Secret defendia que o futuro era “imprevisível”. Fátima Santos, diretora-geral da AORP, defendia ser necessário “criar um ecossistema de moda, através das sinergias entre os vários setores”. Luís Figueiredo, vice-presidente da ANIVEC, alertava “para as mudanças que estão a acontecer no retalho e para a necessidade de repensar a questão da sustentabilidade na indústria”. Maria Eugenia Errobidarte, da WGSN, garantia que as marcas deveriam assumir compromissos fortes” e citando Marie-Claire Daveu, responsável do Grupo Kering (que detém marcas como Gucci, Balenciaga, Sérgio Rossi, entre outras) pelo Departamento de Sustentabilidade, “a sustentabilidade não é uma opção, é uma necessidade”. Poucos meses depois, todas estas preocupação ganham especial relevância e peso.nJá Gonçalo Santos corrobora, fundador da Platforme assumia que “a indústria está mal formatada, produz em grande escala e, não escoando os seus produtos, recorre aos saldos, e dessa forma perde rentabilidade e desvaloriza as próprias marcas”. Questões relevantes, oportunas, numa discussão aberta, intemporal, que agora se reinicia.
 
E depois da pandemia?
“Não há barómetro que nos valha, nesta altura”. A frase, forte por sinal, é de Joaquim Moreira. Exprime um sentimento comum a centenas de empresários. “O nosso futuro é amanhã, depois e depois. Tudo dependerá da duração da pandemia”, considera o responsável da Felmini. “As expectativas eram boas este ano. As melhores dos últimos cinco”. Agora tudo se alterou. “Para mais, somos tradicionalmente mais fortes no Inverno do que no Verão. Com o retalho completamente parado, não seria fácil atenuar os prejuízos nesta estação. Só mesmo com uns meses de julho e agosto muito bons. Mas não será fácil, nada fácil”.
 
Primado da Ética nos negócios
“Valorizar e focalizar no que é importante. À partilha, a necessidade de nos colocarmos ao lado dos outros, a dar, para receber. Que o trabalho é uma dádiva, e não uma obrigação”. As palavras são de Ana Maria Vasconcelos, que defende que “quando renascermos, atitudes menos éticas, não serão esquecidas. Assim, o reforço ético é uma exigência de hoje, amanhã e de futuro”.
 
A responsável da Belcinto considera que “mais do que nunca a palavra sustentabilidade é já uma exigência, e não uma necessidade a médio prazo. Proteger o planeta, as pessoas e produto em consonância com um consumo mais responsável”.  Acresce que “existem novas formas de trabalhar, como o teletrabalho, que pode ser ainda mais produtivo, e conciliar vida profissional com a vida familiar”. Depois, o momento atual permitiu concluir que “o modelo de ensino está obsoleto”, pelo que será inevitável “fomentar mais experiências ao vivo, e um ensino de bases mais orientado para a prática em deterioramento do teórico”. Importa, ainda, “reforçar a economia das empresas em detrimento dos bens supérfluos que em nada enriquecem o valor patrimonial dos produtos”.
 
Ana Maria Vasconcelos acredita “à medida que algumas questões de base vão sendo resolvidas, temos de ser muito flexíveis e ajustar-nos às soluções que estiverem ao nosso alcance”. Para já, importa “conseguir controlar o vírus, de forma a reabrir empresas e retomar a laboração interna”. Vai ser imprescindível “reforçar as empresas financeiramente com pacotes de apoios estatais que não penhorem o futuro empresarial”. Essa será maior dificuldade: “falta definir como Portugal e a Europa vão financiar a fragilidade económica que esta crise vai provocar”.
 
Mas este também é o momento “para construir novos modelos de negócio, com formações à distância, busca de novos produtos e de serviços”. Prioritário será “o reforço das equipas comerciais, com competências profissionalizadas para as novas tecnologias e teletrabalho”, mas inevitável será, igualmente “a flexibilização das equipas produtivas, a reorganização para produções mais pequenas e personalizadas”. Já importação de produtos “da China para a Europa, tanto desejada e provavelmente exigida pelos consumidores, obrigará a associações e parcerias entre empresas, que até agora tem sido pouco privilegiadas, de forma a haver capacidade de resposta quer a nível de quantidade, preços e tempos de entrega”.
 
A união faz a força
Na mesma linha de pensamento, Hugo Pinto assegura que “só ultrapassaremos esta crise com uma forte união dos diversos intervenientes”. Para o Diretor Industrial da Itaflex, “o Estado e a União Europeia terão – desde logo - que ajudar financeiramente as empresas, não apenas com empréstimos, mas com incentivos e injeções diretas de capital”. Já aos colaboradores, exigir-se-á “flexibilização de horários e de férias, facilitando a retoma da atividade económica”. Já às empresas de indústria do calçado compete-lhes assegurar “uma resposta concertada, forte, que demonstre credibilidade e solidez”.
Hugo Pinto defende que “haverá sempre a necessidade das empresas se reinventarem”, ainda que não devam descurar “os bons ensinamentos que vinham do passado”, apostando para isso “em produtos de elevado valor acrescentado, de qualidade e de elementos diferenciadores. Só assim poderemos ter empresas que rentabilizam os seus produtos”.
E o que aprendemos com esta crise? “Assim que esta crise passe, e nos seja possível perspetivar o negócio a longo prazo, não deveremos esquecer a necessidade de ter empresas capitalizadas. Só assim podemos resistir a crises como esta, para depois da sua passagem podermos manter a nossa integridade”. Só dessa forma será possível “evitar aproveitamentos de alguns agentes económicos que vêm estas situações como mais uma oportunidade para explorarem os mais débeis, para depois inflacionarem os preços, obtendo vantagens significativas à custa de outros, sem que a economia tire vantagem real nos negócios”.

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