APICCAPSAPICCAPSAPICCAPS
Facebook Portuguese Shoes APICCAPSYoutube Portuguese ShoesAPICCAPS

Entrevista a Maria Celeste Hagatong, Presidente da COSEC

Entrevista a Maria Celeste Hagatong, Presidente da COSEC

30 Jul, 2020

Numa época marcada pela incerteza do futuro, as
seguradoras de crédito assumem um papel muito relevante, principalmente
para o crescimento das empresas exportadoras. Falámos com a presidente
da COSEC, Maria Celeste Hagatong.

A
COSEC assinou recentemente um protocolo com a Direção Geral do Tesouro e
Finanças para comercializar Seguros de crédito de Curto Prazo com
Garantia de Estado. O que podem esperar as empresas da execução das
medidas previstas nesse protocolo?


Este Protocolo tem em
vista permitir às empresas disporem de maiores coberturas para as suas
exportações para países da União Europeia e desenvolvidos da OCDE, face
às limitações impostas às companhias de seguro de créditos em virtude do
forte agravamento do risco decorrente da crise económica gerada pela
pandemia do COVID19. Assim, através deste Protocolo as empresas podem
aderir a uma nova apólice garantida pelo Estado, através da qual os seus
plafonds são elevados até ao máximo do valor dos plafonds atribuídos
pela seguradora, isto é, podem duplicar.

Para aceder a esta Facilidade basta ser já cliente da COSEC e apresentar uma candidatura através da COSECnet.
A
adesão pelas empresas a esta Facilidade tem vindo a ser crescente de
dia para dia e já temos várias dezenas de apólices emitidas ao abrigo da
mesma e um interesse demonstrado por um vasto número de empresas.

Foi
sem dúvida importante a disponibilização desta Facilidade para as
empresas exportadoras terem condições para elevarem as coberturas por
seguros de créditos para as suas vendas a prazo, em especial nesta fase
de retoma das economias europeias e dos países desenvolvidos da OCDE,
principais mercados de exportação das empresas portuguesas.

Uma
vez que esta crise é mais grave e é mais global do que a que
vivenciamos em 2008/2011, porque é que, ao contrário do que aconteceu
nessa  fase, não está prevista a possibilidade de atribuir um plafond
aos clientes avaliados com plafond zero?


Esta pergunta não
deve ser dirigida à COSEC mas sim ao Governo. Foi entendido pelo Governo
que a atribuição de plafonds garantidos pelo Estado, sem partilha de
risco com as companhias de seguro, se apresentava nesta altura com um
grau de risco muito elevado.

O Governo anunciou Garantia de
Estado também para o mercado doméstico. No entanto, essas medidas ainda
não foram implementadas. Para quando o alargamento ao mercado doméstico?


Na
apresentação do Plano de Sustentabilidade foi referido o lançamento de
uma Facilidade idêntica à já em vigor para cobrir transações comerciais a
crédito no mercado doméstico. Ao contrário da que já está em vigor,
esta nova Facilidade terá de ser notificada à Comissão Europeia de forma
a que não seja configurada como auxílio do Estado. Julgamos que é esta a
causa de algum atraso na assinatura do Protocolo para a Facilidade
COVID 19 – Mercado Doméstico. De dia para dia, estamos a sentir uma
pressão crescente por parte das empresas para disporem deste instrumento
o mais rapidamente possível.

Esperamos que o Ministério das
Finanças esteja em condições de poder assinar com as companhias de
seguro os Protocolos com vista ao alargamento dos seguros de crédito com
garantia do Estado às transações no mercado doméstico, até ao final do
mês.


Como deve ser interpretada a decisão da COSEC de adiamento da distribuição de dividendos?

Tendo
presente as recomendações da EIOPA (Autoridade de Regulação Europeia
para o Sector dos Seguros e Fundos de Pensões), assim como da ASF
(Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões) no sentido de
não se realizar a distribuição de dividendos do exercício de 2019, os
acionistas da COSEC decidiram adiar a sua decisão de distribuição dos
dividendos do exercício transato até ao final do 1º semestre de 2021.

 A
COSEC do ponto de vista de solvência continua a apresentar um rácio
muito acima dos mínimos exigidos (263% em 30.09.2019) e uma situação de
liquidez muito forte.

O setor do calçado é altamente
exportador e os seguros de crédito são fundamentais para a retoma da
atividade. Como pensa a COSEC reforçar o apoio às empresas?


A
COSEC continua a sua missão de apoiar as empresas na sua atividade
comercial no mercado doméstico e nos mercados internacionais, cobrindo o
risco de crédito das vendas a prazo das empresas. Espero que os sinais
de retoma em Portugal e na Europa surjam o mais rapidamente possível,
mas a verdade é que as previsões que têm vindo a ser divulgadas
apresentam cenários bastante negativos.

Todos os indicadores
referentes à sinistralidade resultante deste enquadramento
macroeconómico apresentam-se consequentemente mais agravados.

Enquanto
pairar “esta nuvem negra” no horizonte, a curto prazo será difícil a
retoma de atividade para as companhias de seguro de créditos em setores
como é o caso do calçado.

No entanto, a indústria portuguesa de
calçado ao longo da sua história recente soube-se reinventar e esperamos
que a curto prazo tal venha a acontecer de novo, adequando-se às
exigências dos novos tempos pós Covid. E cá estará a COSEC, assim
esperamos, a acompanhar mais esta nova fase da indústria do calçado.


The latest ones