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Nem só de sapatos vive o cluster

Nem só de sapatos vive o cluster

4 Mar, 2020

Da cana de açúcar às bolas de ténis. Das algas à cortiça. Das solas vegetais à incorporação de materiais reciclados. Pelos corredores da Lineapelle, as novidades das empresas portuguesas não param de surpreender. Em fevereiro, Milão foi palco da maior feira de componentes do mundo, que reuniu 1200 expositores de 40 países. Esta que é a feira de referência para o setor aconteceu, pela primeira vez, em simultâneo com o último dia da Micam e Mipel.

No total, mais de 30 empresas nacionais de componentes e de curtumes apresentaram as novidades e as tendências para o próximo verão 2020. E existe…de tudo. Desde algas a bolas de ténis. Esta última novidade foi lançada pela ISI Soles, de Felgueiras, que criou solas de sapatos produzidas com antigas bolas de ténis. Mas não é só. Fundada em 1999, a ISI Soles é especializada na produção de solas injetadas. Neste momento, a empresa tem como principal objetivo “melhorar o produto e ir de encontro às necessidades dos nossos clientes” que passam essencialmente “pelas questões da sustentabilidade. Queremos incorporar matérias primas nacionais e ter o mínimo desperdício”. Ao nível do produto a empresa apresentou materiais mais leves e flexíveis, e ao nível da inovação tem vindo a introduzir produtos que vão para o lixo, como é o caso da cortiça ou da borracha. “Neste momento temos solas produzidas com 50-70% de matéria reciclada”, diz Vitor Mendes.

Também de Felgueiras, a Vapesol lançou a marca VP Sustainable. A sustentabilidade é uma das prioridades para as empresas de componentes que veêm aqui um nicho de mercado. “Os clientes tem perguntado muito. Não sabemos quando de facto vão existir produções significativas, mas temos de estar preparados quando isso acontecer”.

Na Lineapelle, a empresa liderada por Décio Pereira, apresentou a sola Eva Green, desenvolvida com 70% de cana de açúcar, “um produto único no nosso país, onde não são usados derivados de petróleo”. 

E a preocupação ambiental parece, mesmo, ser o caminho deste setor. A participar há 20 anos na Lineapelle, a Atlanta, com sede na Lixa, apresentou solas com 84% de origem vegetal. “Neste produto ficam de fora materiais com origem mineral”, afirma Paulo Ribeiro, responsável da empresa.

Também a Bolflex tem investido nesta tipologia de produtos. A empresa de Felgueiras apresentou soluções de reciclagem dos materiais. “Uma aposta que será reformada no futuro, com novas soluções”, apontou António Ferreira. Ainda recentemente, o Bolflex apresentou uma nova gama de produtos (E-Rubber® e o R-Skin®) que têm como base uma tecnologia de desvulcanização patenteada, gerando na sua base, um produto similar a uma borracha virgem que volta a ser reintroduzida no processo de fabrico.

A produzir 5 milhões de solas por ano, a Forever apresentou ao público uma grande variedade de produtos sustentáveis. “Neste momento conseguimos apresentar aos nossos clientes produtos desenvolvidos com todo o tipo de materiais, desde as algas até à cana de açúcar”. Para a empresa de Vila Nova de Gaia, a aposta nos materiais sustentáveis é a aposta para o futuro “Há 10-15 anos que apresentamos aos nossos clientes várias soluções sustentáveis. O consumidor é cada vez mais consciente e, por isso, procura soluções alternativas. E nós já as temos”. 
Mas nem só de solas se faz um sapato. Na Lineapelle, as empresas de curtumes também estiveram representadas. Foi o caso da Multicouro. “Esta é maior feira de peles, couros e acessórios do mundo e é um ponto de encontro privilegiado de players do setor”. Para Rodolfo Andrade, responsável pela empresa de S. João da Madeira, o maior desafio é antecipar as tendências para a próxima estação. No essencial, esta feira trabalha uma estação à frente da estação da que as marcas apresentam na Micam, dias antes. “Não é fácil antecipar tendências. É um espaço muito curto de tempo e envolve um enorme trabalho de pesquisa”.
Nesta edição, a Lineapelle revelou-se essencial para a cadeia global de abastecimento da indústria de moda e artigos de luxo, com 20.000 visitantes, um aumento de 2% em relação à edição de 2019. “Um crescimento evidenciado por operadores italianos e estrangeiros, apesar da ausência de expositores e compradores chineses e do Extremo Oriente, devido à epidemia de coronavírus”, afirma a organização da feira.
A próxima edição do Lineapelle acontecerá em Fieramilano Rho, de 23 a 25 de setembro de 2020, e será dedicada à temporada outono / inverno 2021/2022.

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