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Oportunidades de ne negócio: Polónia

Oportunidades de ne negócio: Polónia

23 Feb, 2021

Conheça as oportunidades no mercado polaco


A APICCAPS e AICEP organizaram, no passado dia 17 de fevereiro, o webinar Em Foco: Polónia e Hungria. Hoje fique a conhecer as potencialidades para as empresas portuguesas no mercado polaco.
Pedro Macedo Leão, delegado da AICEP em Varsóvia, classifica a Polónia como um país fascinante, com uma economia, população e área geográfica sensivelmente três vezes e meia superior à portuguesa. Um país descentralizado, com a capital em Varsóvia, que tem 1,716 milhões de habitantes, mas que conta com muitas cidades importantes como Cracóvia, Lodz, Wroclaw, Poznan, Gdansk, Szczecin, Bydgoszcz, Lublin e Katowice
A Polónia não aderiu ao euro, mantendo, por isso, a sua moeda própria, o zlóti (PLN). Ao contrário dos países da Zona Euro, a Polónia enfrenta o risco de depreciação da moeda. Um euro equivale a 4,5 PLN, quando, em março de 2020, no início da pandemia, equivalia a 4,23 PLN. Uma informação importante a ter em conta no caso do estabelecimento de contratos na moeda local.
 A Polónia é o maior país da Europa Central, com 38,2 milhões de habitantes e dispõe de uma situação geográfica estratégica, constituindo uma importante plataforma para outros mercados da região, nomeadamente para a Ucrânia, Lituânia e Bielorrúsia.A Polónia foi a 21ª economia a nível mundial e é a 7ª da UE em 2019. Com uma economia cada vez mais aberta ao exterior, a Polónia tem beneficiado da sua integração na UE.
A economia polaca assume-se, de há vários anos a esta parte, como um caso de êxito entre os países da região, tendo o PIB crescido 4,9% em 2017, 5,3% em 2018 e 4,1% em 2019, impulsionado essencialmente pelo forte crescimento da procura interna, em particular pelo consumo interno e pelo investimento.
Estima-se que será, a nível europeu, um dos países menos afetados pela crise pandémica, com excelentes resultados ao nível da exportação dos seus produtos. Com a redução significativa do desemprego e o contínuo aumento dos salários reais, o consumo das famílias manteve-se em níveis elevados.
Estima-se que o ano de 2020 termine com uma contração do PIB de 3,4%, mas já é esperada uma retoma do crescimento de 3,5% em 2021. Segundo a Comissão Europeia, o consumo privado polaco caiu acentuadamente em 2020 (-4,9% face a 2019), enquanto o consumo público aumentou (2,9%). Uma menor procura e maior incerteza contribuíram para uma forte redução do investimento privado.
O desemprego subiu dos 3,3% em 2019 para 6% em 2020, enquanto a taxa de inflação subiu para cerca de 2,5%, uma das mais altas da Europa. Prevê-se uma quebra na Polónia, quer das exportações de bens e serviços, quer das importações (da ordem respetivamente, dos -9,8% e -10,6%), em 2020.
Por outro lado, prevê-se um agravamento do défice orçamental (0,7% do PIB em 2019 para 9,5% em 2020), bem como do peso da divida pública (46% do PIB em 2019 para cerca de 58,5% em 2020).
Salário mínimo
Tem vindo a crescer sistematicamente, na casa dos 5 a 6% ao ano. A partir de 1 de janeiro de 2021 entrou em vigor um novo valor de salário mínimo na Polónia, que passou a ser 2.800 PLN brutos mensais (cerca de 615 euros), um aumento de 200 PLN (43,9 euros) face a 2020. Em termos líquidos, o valor mensal é de 2.061,67 PLN (cerca de 453 euros) .
O programa do governo polaco prevê que, em 2023, o salário mínimo no país chegue aos 4.000 PLN (cerca de 880 euros). O valor mínimo por hora é de 18,30 PLN (cerca de 4 euros).
Além disso, o governo polaco incentiva fortemente as famílias com filhos concedendo um apoio mensal de aproximadamente 120 euros por filho, o que tem contribuído para o aumento do poder de compra das famílias e para o aumento do consumo.
Relação económica bilateral
As exportações portuguesas para a Polónia conheceram uma expansão importante nos últimos anos, experimentando um crescimento contínuo entre 2013 e 2019 com uma taxa de crescimento anual média superior aos 10%.
A Polónia tem vindo a subir sistematicamente no ranking dos principais clientes de Portugal e “hoje em dia é o 10º cliente, um mercado já muito relevante para as nossas exportações e para as nossas empresas e onde acredito que existem excelentes oportunidades para o futuro porque é um país que se perspetiva que venha a crescer sempre a um ritmo de 3 a 4% ao ano face ao restante das economia europeias mais estagnadas.
Pedro Macedo Leão destaca que este é um mercado que tem vindo sempre a crescer, com o aumento do poder de compra e da predisposição das pessoas para consumir. O polaco é cada vez mais sofisticado, consome cada vez mais produtos com uma relação preço-qualidade aos quais eles estão sempre atentos, mas tem vindo a crescer a sofisticação dos produtos e a qualidade dos produtos. É um mercado que eu penso que terá muito potencial para as empresas portuguesas, defende o delegado da AICEP.
No ano 2020, devido à pandemia, houve quedas significativas em alguns setores mais importantes. As vendas de automóveis em muitos países da UE sofreram uma queda sem precedentes. Esta situação refletiu-se também nas trocas comerciais entre Portugal e a Polónia. As partes e acessórios para a indústria de automóvel, tradicionalmente uma componente elevada nas exportações nacionais para a Polónia caiu em 30% em 2020.
Outras indústrias cujo valor registou uma descida elevada em comparação com o ano 2019 são: química, agrícola, peles e couros e também a do calçado (-15%). O mercado de calçado vale hoje cerca de 22 milhões de euros de exportações para as empresas portuguesas.
Situação da Covid-19 na Polónia
Desde que o país foi atingido pela pandemia, em março de 2020, que o governo polaco tem vindo a tomar uma série de medidas para conter a disseminação do vírus. Os shoppings foram autorizados a abrir novamente desde 1 de fevereiro, Hotéis, teatros, cinemas e piscinas podem funcionar, desde 12 de fevereiro, mas com capacidade limitada.
Até finais de março estão suspensos os voos diretos regulares entre a Polónia e Portugal, assegurados pela TAP.
De acordo com estimativas do Conselho Polaco de Centros Comerciais, os shoppings perderam até 5 mil milhões de PLN, devido ao confinamento, perdas que, no caso dos lojistas, podem chegar aos 30 mil milhões de PLN.
Durante a pandemia, 29 % dos polacos substituíram em grande parte as compras tradicionais por compras online. Mais de 25% mudaram ligeiramente os seus hábitos, e mais de 3,4% mudaram completamente para o comércio eletrónico, indica o responsável da AICEP. A segurança, a dificuldade de acesso aos estabelecimentos e a vontade de ver como funciona o comércio eletrónico foram as principais para a mudança.
De acordo com um inquérito recente, entre pessoas que mudaram os seus hábitos de compra por causa das restrições, 55,4% dos consumidores pretendem regressar às compras tradicionais após a pandemia. Por outro lado, 22,6% disseram que ficariam com as compras online. O sucesso da remodelação do comércio é evidenciado pelo facto de as vendas não terem diminuído, e até aumentado cerca de 1,2%, apesar do choque causado pela pandemia. Portanto, é pouco provável que haja um regresso do comércio eletrónico a um papel secundário.
Os shoppings reabriram a 1 de fevereiro de 2020 e os polacos foram ávidos no regresso às compras, o que resultou em multidões nos centros comerciais e longas filas de espera nas lojas. Sujeitos já a três lockdowns distintos, os lojistas dos centros comerciais estão a considerar regressar às lojas de rua, refere, ainda, Pedro Macedo Leão.
Setor do calçado na Polónia
O mercado do calçado na Polónia gerou receitas de mais de 4,5 mil milhões de euros em 2019, um aumento de 16,6% face ao ano anterior. Apesar da pandemia, é esperado que tenha crescido 7,6% em 2020 e atinja os 4,7 mil milhões de euros. E as perspetivas mantêm-se dinâmicas, com as previsões a apontar para um crescimento do mercado polaco de calçado à taxa de 8,9% por ano para os 6,1 mil milhões de euros em 2023.
O segmento do calçado “têxtil, sandálias e outros sapatos deste tipo” representa a maior quota de mercado, com vendas de 1,9 mil milhões de euros em 2019, representando 43,4% das vendas totais desta indústria.
A Polónia é, também, um fabricante de calçado, com 3.400 empresas. É o 7º maior produtor da União Europeia, com uma quota de mercado de 2,5%. E é o 5º maior empregador comunitário deste setor, assegurando emprego a quase 18 mil pessoas.
Em 2017, o país atingiu o seu valor mais elevado de produção de sempre: 37,5 milhões de pares. Desde então, tem diminuído gradualmente. Em 2019 atingiu o nível mais baixo desde 2012, tendo sido produzidos 31 milhões de pares. Os sapatos em couro representaram menos de 7 milhões de pares.
O aumento dos custos de produção, designadamente por via do aumento dos salários e dos preços das matérias-primas e da energia, mas, também, das taxas para a eliminação de resíduos e esgotos, têm levado á subcontratação crescente de produção na Ásia, mas também em países como a Moldávia e a Ucrânia, diz Pedro Macedo Leão.
Sobre os hábitos de consumo, cada polaco gastou, em média, 117,6 euros em calçado em 2019, montante que se prevê suba para 162,4 euros em 2023.
O delegado da AICEP deu, ainda, a conhecer as conclusões de um inquérito (Polskie Buty) encomendado pela CCC, líder do setor do calçado na Europa Central e Oriental, realizado pela empresa de análises e pesquisas Zymetria, e que mostra que, em média, as mulheres polacas têm 17 pares de sapatos e os homens 7. Dois terços das mulheres caçam 37 a 39 e dois terços dos homens usam os tamanhos 42 a 44. O mesmo estudo mostra que os polacos são cada vez menos guiados pelo clima e cada vez mais pela moda e pelo conforto, preferindo sapatos pretos, brancos (especialmente nos modelos desportivos), beges e castanhos. As mulheres costumam escolher os sapatos de salto alto pretos ou beges (75% e 31% respetivamente), com o vermelho a surgir em terceiro lugar. Os sneakers são o calçado usado com mais frequência na faixa etária de 18 a 45. O estudo mostra, que há uma consciência crescente de que os sapatos são a base da boa aparência, destaca Pedro Macedo Leão.
Sobre o e-commerce, os dados do mercado polaco mostram que 22% das vendas de calçado em 2019 foram realizadas online, fatia que deve aumentar para 24,4% em 2023.
Vendas on-line
Em 2019, as vendas online na Polónia geraram 50 mil milhões de PLN (11,1 mil milhões de euros) e as previsões, pré-pandemia, eram para que crescesse para os 70 mil milhões de PLN (15,5 mil milhões de euros). Afinal, tudo indica que o comércio eletrónico possa ter atingido os 100 a 120 mil milhões de PLN (22,2 a 26,7 mil milhões de euros) em 2020 e que cresça 20%, pelo menos, até 2025, segundo dado do Unity Group, um parceiro na transformação das vendas digitais.
A Polónia conta com 28,8 milhões utilizadores da internet, 72 % dos quais fazem compras online em lojas polacas e 30% em lojas estrangeiras. As categorias de produtos com maior procura são o vestuário e acessórios (69%), calçado (58%) e a cosmética e perfumes (57%).
CCC, Eobuwie, Zalando, Answear e Allegro são os líderes de mercado nas vendas de calçado na Polónia. Seguem-se Kazar, Apia, Symbiosis, Venezia e Riccardo, Zebra, Filippo, Schaffa e Wittchen. No que a plataformas específica diz respeito, o delegado da AICEP destaca a domodi, lamoda e allani.
Principais Feiras e Eventos
Sobre o modo de abordagem ao mercado, o delegado da AICEP deu a conhecer alguns dos eventos profissionais para o setor, caso da Semana da Moda, a TYDZIE? MODY (http://tydzienmody.eu), um evento tipo contratação que decorre duas vezes ao ano, na primavera e no outono, em Varsóvia, Poznan e Cracóvia e que é dedicado ao calçado importado e de preço mais alto. Há, ainda, a POLSHOES, dedicada mais à indústria local ou ao calçado importado, mas de preço mais baixo, que se realiza, também, duas vezes ao ano, na primavera e no outono, nas cidades de Varsóvia e Cracóvia.  (https://targimodypoznan.pl/en/ ; https://www.facebook.com/DniObuwia)  
Destaque, ainda, para a TARGI MODY FASHIONWEARE, uma feira de vestuário, mas que conta com alguns stands de calçado (https://www.fashionweare.com)  e para a TARGI MODY POZNAN, na cidade de Poznan (https://targimodypoznan.pl/en/). Ou para a SAWO, International Trade Fair for Work, Fire and Rescue Protection, mais vocacionado para o segmento profissional e da segurança (https://targisawo.pl)

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